A conclusão do processo disciplinar aberto pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) para apurar responsabilidades de dez acusados de veicularem, pela internet, mensagens preconceituosas e ofensivas contra funcionários e pacientes do Hospital Universitário (HU) não tem data para acontecer. A diretora do Centro de Educação, Comunicação e Artes (Ceca) da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Maria das Graças Ferreira, que presidia o processo, pediu desligamento do caso dias atrás, antes da posse do novo reitor da universidade e às vésperas de vencer o prazo estabelecido para a conclusão do processo, no último dia 16.
Maria das Graças disse que estava com excesso de atividades e alegou também a mudança de comando da instituição. Com isso, as investigações envolvendo um grupo de residentes e ex-residentes do hospital, que chegou a chamar funcionárias de ''prenhas nojentas'' e ''macaca de 15 arrobas'' ficam interrompidos até que a reitoria nomeie outro presidente para o processo e determine novo prazo para a entrega das conclusões.
As mensagens que deram origem ao episódio conhecido como Caso Orkut foram postadas no período de outubro de 2004 a maio de 2005. Nenhum dos envolvidos foi punido até agora. A Folha apurou que pelo menos dois acusados ainda têm vínculos com o HU, um deles como residente e outro como professor (na época era residente). Pela lei, os envolvidos no caso estão sujeitos a penalidades que variam de advertência verbal a expulsão da instituição.
Para uma das funcionárias atingidas pelas mensagens, a forma como o caso vem se desenrolando é ''uma total falta de respeito com o ser humano''. Ela acredita que se o contrário tivesse acontecido, ou seja, se os funcionários tivessem ofendido pessoas em posições hierarquicamente superiores, já teriam há muito sofrido punições. ''É um sinal claro da impunidade que está latente em nosso país. Se não fosse a imprensa, o caso já teria caído no esquecimento.''
O episódio também está sendo apurado pelas polícias Civil e Federal.

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