A psicóloga Maria Cristina Alves Penha trabalha com mulheres vítimas de violência doméstica e afirma que é comum as vítimas levarem longos períodos para se inteirarem da necessidade de mudar de vida. ''Há 20 anos as mulheres não tinham noção de que o que elas sofriam dentro de casa era violência ou crime'', explica. Levou vários anos para que as pessoas entendessem que violência não é só física e muitas mulheres ainda têm medo de denunciar, mesmo com a criação da Delegacia da Mulher.
Das que procuram a delegacia, muitas ainda não têm noção do que precisam, segundo a psicóloga. ''Elas não estão pensando em se separar. A vítima chega e pede que a polícia vá na casa dela e apenas dê um 'susto' no agressor.''
De acordo com Cristina, mesmo agredidas as mulheres não querem ficar sem os maridos, apenas querem que eles parem com a violência. ''Além das ameaças de morte, de ficar sem onde morar, elas têm uma relação afetiva forte com eles. Na minha prática, as mulheres precisam em média de três anos para que possam pensar diferente. O processo de entender a verdade é mais dolorido do que a própria violência, porque a sensação é de desestruturação.''
Livrar-se do parceiro e seguir adiante exige que a mulher tenha grande dose de coragem e estrutura emocional já que será preciso assumir o controle de sua vida. ''A ajuda para essas mulheres passa também por tratamento medicamentoso e psiquiátrico. É importante a saúde pública estar em condições de atender essa situação.''
Cristina também ressalta que nem todos esses casamentos devem necessariamente terminar em divórcio. ''Em muitos casos, se o marido for medicado, ele pode ficar bem. Muitas pessoas têm comprometimento psiquiátrico, não é violência por violência.'' (E.G.)

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