A cobrança por determinados serviços, visando a captação de recursos para o Hospital Universitário (HU) de Londrina é considerado irreversível para a presidente do Sindicato dos Empregados em Saúde, Ana Maria da Cruz. Mas ela ressalta que alguns pontos polêmicos do projeto que trata do assunto devem ser bem discutidos.
Um dos pontos questionados por Ana Maria é com relação ao montante destinado ao pró-labore a ser distribuído. De acordo com o projeto, os docentes ficariam com 80% do valor e o restante iria para os servidores técnico-administrativos. ‘‘Os servidores estão se sentindo desrespeitados e desmotivados’’, afirma.
Na opinião de Ana Maria, o ideal seria que a divisão fosse igual - 50% para cada categoria. ‘‘Mesmo assim, os docentes levariam vantagem porque são 315 docentes contra 691 servidores técnico-administrativos’’, observa.
Outra preocupação da presidente do sindicato é com relação aos serviços que serão prestados aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) após as mudanças. Ela teme que os pacientes conveniados e particulares tenham mais privilégio no atendimento. ‘‘A intenção da diretoria do HU pode ser boa, mas é preciso ver uma forma de não discriminar os pacientes mais carentes’’, ressalta. Ela afirma que o projeto aprovado não prevê nenhum tipo de mecanismo para fazer este controle e lembra que o HU é o único hospital da região a atender somente pacientes pelo SUS.
O secretário municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, acredita que o projeto será benéfico tanto para os pacientes quanto para a instituição. ‘‘Uma parte da população que hoje não utiliza o HU, por um motivo ou outro, poderá ter acesso aos serviços de um profissional que eles querem e que atende somente naquele hospital’’, observa.
Segundo Der Bedrossian, os recursos conseguidos com a cobrança de serviços a conveniados e particulares poderão ser utilizados para melhorar as condições do HU. ‘‘Novos equipamentos que serão adquiridos beneficiarão também os pacientes do SUS’’, exemplifica. ‘‘E os profissionais terão motivação para se dedicarem mais’’, acrescenta. Ele acredita que os pacientes do SUS não serão prejudicados com a implantação do projeto.

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