A série de problemas envolvendo a Fazenda Refúgio começa na aquisição da área, em novembro de 1991, durante a segunda gestão do então prefeito de Londrina, Antônio Belinati (sem partido). A área de 150 alqueires, que seria destinada à construção de 6 mil casas populares, foi comprada por cerca de CR$943 milhões ou U$1 milhão. O Sindicato das Empresas de Compra, Venda e Locação de Imóveis (Secovi) avalia que, com a valorização, a fazenda custaria hoje, no mínimo, R$6 milhões.
As obras nunca foram feitas hoje a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) mantém no local a Central de Galhos, instalada em 1993, e um programa de reciclagem de lixo com organizações não-governamentais (ONGs), desde 2001. O negócio realizado entre a Cohab e uma construtora, antiga proprietária da fazenda, se tornou alvo de processos judiciais em 1992.
As duas ações populares movidas naquele ano uma de autoria de Mauro Floriano Baldan e a outra, ajuizada pelo atual secretário de Estado do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Cheida (na época vereador em Londrina) acusavam superfaturamento na compra do imóvel e condições inadequadas do terreno para a construção de moradias. Onze anos se passaram e as ações, unificadas num único processo que já está no 12º volume, continuam inconclusas na 1 Vara Cível de Londrina.
Todas as testemunhas do caso foram ouvidas, mas quando finalmente o processo chegou à fase de julgamento por sentença, no início deste ano, o juiz Mauro Henrique Ticianelli descobriu um erro referente à autoria das ações. Baldan faleceu em outubro de 1996, e não deixou herdeiros como autores no processo. Cheida ajuizou ação na condição de cidadão, mas se elegeu prefeito nas eleições seguintes (1993/1997), passando de pólo ativo para pólo passivo do processo, no qual o Município também figura como réu. Na avaliação do juiz, ainda que Cheida não seja mais prefeito, ele não deveria ser mantido como autor da ação.
O Ministério Público (MP), no entanto, recomendou a permanência do ex-prefeito na autoria do processo, e decidiu assumir o lugar de Mauro Baldan, uma vez que se trata de ação popular. A medida foi acatada por Ticianelli, mas exigirá a publicação de editais, o que só será feito em agosto, quando terminam as férias forenses. O juiz destacou a possibilidade de o processo ser concluído ainda este ano.

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