Processamento falho impede apostas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de setembro de 1998
Israel Reinstein 
O sonho de ficar milionário com o prêmio acumulado da Mega Sena pode ficar distante para apostadores de diversos pontos do Brasil. Por causa de um problema de transmissão do sistema de aposta da Caixa Econômica Federal, diversas casas lotéricas de Curitiba, do interior de São Paulo, da região central e do Norte do Brasil estão inviabilizadas de processar os cartões. O prêmio estimado para o próximo concurso é de R$ 29 milhões. O problema é reconhecido pela CEF, que acredita resolver a situação em breve.
De acordo com a presidente da Associação das Casas Lotéricas do Paraná, Rejane Dick, o sistema de processamento de aposta - conectado on line com Brasília - vem apresentando problemas desde o começo do ano. Quando se tenta entrar no sistema, surge uma mensagem avisando estar fora do ar, disse. Ela informou que as falhas no sistema acontecem de forma esparsa nas casas lotéricas, permitindo que numa mesma quadra, onde existam duas casas lotéricas, apenas uma esteja funcionando.
O gerente de mercado da CEF do Paraná, Élcio Lara, diz que o problema da transmissão de dados estaria acontecendo por causa da ação das manchas solares. Esse fenômeno, que começou a agir nesta semana, faz com que todas as comunicações realizadas por satélite fiquem prejudicadas, inclusive as que funcionam por rádio-frequência, que é o caso das máquinas de apostas, afirmou Lara.
Lara disse que, além disso, a empresa que processa os dados da CEF no Paraná, a Racimec, teria enfrentado sobrecarga no sistema, por executar novas rotinas operacionais ao mesmo tempo em que realiza as apostas.
Mas Rejane Dick diz que depois que a entidade reclamou da ineficiência do sistema, o acesso, que na manhã de ontem era inviável, ficou facilitado. Isso tem que se manter, porque o movimento normal de apostas teve uma queda de 70% em algumas lotéricas. Na Casa Brasil Loterias, onde o volume médio representava R$ 10 mil por dia, caiu nestes dias para R$ 1 mil. Meus clientes estão desistindo de apostar e vão acabar migrando para outras lotéricas que tenham acesso a Brasília, reclama a proprietária, Ana Cristina Pinheiro de Vasconcelos.


