Londrina - Completa 20 anos o primeiro registro de paciente no Brasil que sobrevive a uma ruptura total de aorta por traumatismo fechado do tórax. Diagnosticado em Londrina pelo cirurgião cardíaco Francisco Gregori Junior, que fez a cirurgia de emergência, o caso serve ainda hoje como alerta para plantonistas que atendem nos prontos-socorros.
Jane Medeiros é a paciente que sobreviveu a uma ocorrência que mata 85% dos casos nas primeiras duas horas, e, no restante deles, vitima metade nas primeiras 48 horas, ou ainda causa paraplegia como sequela. Outra estatística mostra que uma em cada seis mortes por acidente automobilístico ocorre por causa do rompimento da aorta, a principal artéria que leva o sangue oxigenado para todo o corpo.
A professora, na época com 33 anos, bateu o Fusca que dirigia de frente com outro carro. Não usava o cinto de segurança -o uso não era obrigatório na época-, e a batida fez com que sofresse uma forte pancada no peito. Ela conta que tinha apenas alguns arranhões no joelho porque havia caído ao tentar sair do carro. "Se eu não tivesse caído, talvez tivesse até recusado socorro porque estava bem, não tinha ‘nada"’.
No hospital onde foi atendida, o raio-x não mostrou fraturas. O que levantou a suspeita de algo mais sério, recorda Gregori, foi a queda na pressão arterial, o início de formigamento nas pernas e um discreto alargamento da aorta que aparecia no raio X. "O indicativo maior foi a queda na pressão arterial, que pedia uma investigação para saber para onde estava indo o sangue", afirma, lembrando que, na época, não havia o exame de tomografia, hoje imperativo para detectar esse tipo de caso.
A ruptura da aorta, ressalta o cirurgião, é comum em casos de traumas, tiros, facadas. Mas o diagnóstico não é fácil quando o tórax está fechado, a mesma situação de Jane. No caso dela, um cateterismo mostrou a ruptura total da aorta. Ela foi encaminhada para uma cirurgia de emergência no Hospital Evangélico e um tubo foi implantado no local do rompimento para restabelecer o fluxo do sangue. O feito foi publicado na Revista Brasileira de Cirurgia Cardiovascular.

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