A possibilidade de curar arritmias sem intervenção cirúrgica e sem medicamentos ficou mais próxima dos pacientes do Norte do Paraná. Na manhã de ontem, o superintendente da Santa Casa de Londrina, Fahd Haddad, anunciou a reativação do serviço de Eletrofisiologia Clínica e Ablação por Cateter. A técnica só foi implantada graças a compra dos equipamentos, um investimento de R$ 140 mil, segundo o cardiologista Cláudio José Fuganti. O novo procedimento está disponível, inicialmente, apenas a pacientes conveniados e particulares. O atendimento pelo Sistema Único de Saúde depende ainda de credenciamento.
O serviço já foi utilizado, parcialmente, na cidade em 1997, mas como o especialista era um residente e não permaneceu em Londrina, foi interrompido. ''Naquela época o aparelho vinha de São Paulo para cá'', contou o também cardiologista Cézar Mesas, que passou por um treinamento na Itália e agora voltará a atender na Santa Casa.
A arritmia é uma variação do ritmo normal das contratações cardíacas, que pode bater de forma desordenada, com muita rapidez ou lentidão. O novo procedimento consiste na utilização de três ou quatro catéteres (fios especiais), que são introduzidos no paciente pela virilha ou pescoço, que chegam ao coração pelos vasos e identificam o ponto que causa a arritmia.
''O eletrocardiograma, que é mais conhecido, faz uma análise superficial e determina se há a doença. Porém, o cateter resgistra toda a atividade elétrica do órgão e identifica com exatidão o ponto causador da arritmia'', disse Fuganti. Após o diagnóstico, é introduzido um cateter especial que pode cauterizar o foco da doença, o que é denominado ablação. A duração média do procedimento é de cerca de 120 minutos e o paciente costuma ser sedado. ''Em três dias ele pode voltar às atividades normais'', garantiu Fuganti.
Segundo Mesas, o procedimento evita a utilização de remédios e a cirurgia, utilizada apenas em casos graves. ''Com a eletrofisiologia as chances de cura da doença superam os 95%'', disse Mesas. Contudo, ele ressalta que nem todas as arritmias têm a mesma resposta ao tratamento. ''Em casos de fibrilação atrial (descordenação na parte superior do coração) as chances de cura caem para 70%'', relatou Mesas. Por isso, o médico afirmou que antes é feita uma seleção dos pacientes.
Como o ablação é um procedimento invasivo que requer a colocação de cateteres no corpo pode trazer alguns riscos, mas considerados menores em relação aos da cirurgia.

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