Londrina - Criados em 2009 para solucionar a falta de um lugar específico para descartar entulhos como podas de árvores e restos de construção civil, os sete ecopontos nunca conseguiram desempenhar bem o seu papel, já que o objetivo também era que o material fosse separado para poder reaproveitá-lo. Em setembro do ano passado a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) chegou a anunciar como solução para o descarte de entulhos a criação dos Postos de Entrega Voluntária (PEVs), mas eles nunca saíram do papel em função da falta de dotação orçamentária.
São três ecopontos com licença ambiental para funcionar: os localizados na Rua Francisco Merlos, Jardim Primavera (zona norte); Rua Ozéas Furtoso, Jardim Santa Rita 5 (zona oeste) e na Rua Capitão João Busse, no Jardim Nova Conquista. Somente esse último mantém um certo nível de separação dos resíduos.
No Santa Rita 5, depois que moradores do bairro fizeram um protesto contra o descaso e a falta de remoção de material, a prefeitura removeu parte dos entulhos que se acumulavam em pilhas que superavam os 4 metros de altura e 70 metros de extensão.
A presença de "garimpeiros", semelhante ao que existia no lixão do Limoeiro na década de 1990, é consequência do descarte de entulho misturado com materiais que poderiam ser reciclados. A desempregada Lúcia Rodrigues é moradora do bairro e tem recorrido à coleta de alguns objetos metálicos por lá. Mesmo dependendo dessa fonte de renda, ela reclama que algumas pessoas descartem lixo comum e até animais mortos, contribuindo para o mau cheiro e a presença de insetos e ratos. "Aqui não fica ninguém da CMTU para orientar as pessoas onde devem descartar cada tipo de material. Eles chegam, ficam 15 minutos, e vão embora", reclamou.
No Jardim Primavera as pilhas de entulhos também não possuem separação alguma. A única pessoa que fica no local é o coletor Laércio de Moraes, de 50 anos, que também atua como garimpeiro do entulho.

Proibido
Além dos ecopontos não funcionarem como deveriam, por toda a cidade existem pontos de descarte ilegais, localizados principalmente em fundos de vale. Na maioria deles é possível ler a placa "Proibido jogar lixo. Área monitorada", mas não há nenhum sinal de funcionários ou câmeras que façam esse monitoramento.
Os casos são mais graves ficam em pontos localizados na Rua Serra Verde, no Jardim Bandeirantes (zona oeste), Rua Francisca Hosken de Farias Castro, no Conjunto Residencial Doutor Alberto João Zortea (zona sul), na Rua Ernesta Galvani Santos, no Morro do Carrapato (zona leste), entre outros. Segundo estimativas da própria CMTU existem pelo menos 300 pontos de descarte irregulares na cidade.
O pedreiro Marcelo Alves, de 40 anos, é morador do Jardim Monte Cristo (zona leste). Ele relatou que os entulhos descartados no Morro do Carrapato, vizinho à sua casa, viraram um lixão e que o local virou um criadouro de mosquitos Aedes aegypti. "Eu fiquei sete dias internado com dengue hemorrágica por causa disso. Fora isso, muitas vezes o lixo é queimado e fica difícil respirar."
No Jardim São Jorge, o comerciante Celso Calixto da Silva, de 53 anos, reclama da proliferação de ratos.

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