Problemas recorrentes na zona rural
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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina Demora no atendimento, falta de médicos especialistas, problemas no transporte de pacientes e dificuldade das unidades básicas de saúde para conseguir vagas em hospitais. Os motivos de frequentes reclamações dos usuários na área urbana de Londrina também são problemas recorrentes nos distritos rurais.
Nos distritos de Irerê e Paiquerê, na zona sul e distantes cerca de 35 km do centro de Londrina, os prédios onde funcionam as unidades de saúde necessitam de reforma. Em Paiquerê, por exemplo, as janelas dos consultórios estão quebradas e em alguns pontos é possível ver a parede mofada.
Heimtal, na zona norte, fica a cerca de 3,3 km da região dos Cinco Conjuntos, para sorte dos moradores, que muitas vezes recorrem à UBS do Conjunto Maria Cecília para suprir a precariedade do atendimento semanal da Unidade Móvel de Saúde (Unimos). A comunidade reclama do abrigo improvisado onde o ônibus estaciona. A lona está rasgada e não há banheiro público por perto. Nesse local o atendimento é feito às terças-feiras, das 7 às 13 horas. Os que não possuem consulta agendada levantam antes da 5 horas para conseguir um lugar na fila, já que as vagas são limitadas. Maria Rosa Timóteo da Silva, de 66 anos, é uma delas. "Tem vez que a gente só é atendida ao meio-dia. Eu preciso do atendimento, pois sofro de pressão alta e também tenho problema no coração", destacou.
Quem reside no Distrito Espírito Santo, na zona sul e distante 15 km do centro, também depende da Unimos, que vai às quintas-feiras pela manhã. Nos outros dias, os pacientes têm que recorrer à UBS do Patrimônio Regina, cuja edificação é uma das mais novas dos distritos as instalações foram inauguradas em junho de 2011.
A coordenadora da UBS, Geni Leane Tavares, informou que a antiga sede funcionava em uma pequena sala, por isso, a mudança foi bastante positiva.
A agricultora Ivanilde Terciotti contou que vai à UBS do Jardim Alvorada (na zona oeste de Londrina), um percurso com 56 km para ir e voltar, quando precisa consultar um ginecologista. "Aqui deveria ter ginecologista e pediatra", reclamou.
Na UBS do Distrito de São Luiz (distante 32 km do centro), a coordenadora da unidade, Roxane Funfas Bandeira, relata que não há um aumento de turno dos médicos devido à falta de demanda. O atendimento acontece somente no período da manhã, a exemplo de outras UBSs dos distritos. "Aqui não existe tanta procura; temos uma população de 1,9 mil pessoas", destacou. Ela explicou que o maior problema é conseguir enviar pacientes para os hospitais. "Se a gente tenta enviar diretamente, não consegue. Essas pessoas conseguem vagas nos hospitais mais facilmente nos hospitais se forem atendidas pelo Samu", expôs.
PSF
No Distrito de Warta, alguns moradores reclamam que a equipe do Programa Saúde da Família da UBS raramente sai da unidade de saúde para visitar as pessoas. "Eles só ficam conversando entre eles", reclamou Daniel Souza.
Na UBS de Guaravera, distante 44 km do centro, o transporte de pacientes para Londrina é realizado em uma Kombi e em dois horários: às 6 horas e ao meio-dia, o que faz com que pacientes de consultas em horários intermediários sofram com a espera. É o caso do agricultor aposentado José Pantaleão, de 94 anos, que teve de acionar o transporte várias vezes.
Já a dona de casa Maria Antônia Araújo reclama da falta de médicos. "Tinha que ter pelo menos mais dois para atender a gente."
Em Lerroville, a 49 km do centro, os usuários reclamam do tempo de espera. A dona de casa Maria Antônia Araújo e o lavrador José Alves contaram que ficaram mais de 4 horas aguardando na sala de espera da UBS. "É uma situação de salve-se quem puder. Deveriam contratar mais médicos. É muito tempo para uma pessoa esperar", reclamou Maria Antônia. Alves, por sua vez, acredita que o problema não são os funcionários, mas do sistema.


