Problemas que crescem como mato
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sexta-feira, 08 de janeiro de 2016
Aline Machado Parodi<br>Reportagem Local
Os moradores do Conjunto Alexandre Urbanas, na zona leste de Londrina, deixaram de frequentar a academia ao ar livre instalada em frente à rotatória da Avenida Jamil Scaff com a Rua Luzia Costa e Silva por causa do mato alto. Segundo eles, faz mais de três meses que as equipes de capina e roçagem da administração municipal não limpam o local.
A dona de casa Catarina Taborda de Godoi, de 61 anos, que mora em frente a praça, diz que a preocupação é maior por conta da proliferação de animais peçonhentos e do mosquito Aedes aegypti. "Não dá para ir na academia. É muito perigoso", afirma. Ela lembra que quando a praça estava roçada muitos moradores procuravam o local para se exercitar.
Outra preocupação é falta de segurança. Ela conta que uma moradora já foi assaltada à noite, quando caminhava pela rua. "O homem estava escondido no mato e, quando ela desceu a rua, a atacou e levou a bolsa dela", relata.
Os moradores da Avenida Jamil Scaff também reclamam do mato alto nos canteiros centrais da via. Eles afirmam que algumas residências estão sendo invadidas por ratos. "Os ratos vêm direto aqui. Não temos sossego. Quando eles roçam os ratos não parecem mais", diz a aposentada Angela Garcia, de 61 anos.
Ela e o marido, Alecir Pinheiro Thomas, de 72, reclamam que não conseguem atravessar a avenida por causa do mato. "Tem que ir até a esquina porque o mato é muito alto. E na última vez que estiveram aqui, o caminhão deles (equipe de roçagem) quebrou as tampas dos bueiros e eles nunca vieram arrumar. Com o mato alto, virou uma armadilha", conta Thomas.
O casal afirma que as equipes de capina e roçagem não aparecem há meses. "Desde que o (prefeito Alexandre) Kireeff assumiu eles capinaram aqui umas duas vezes apenas. Ele esqueceu de nós. Quando roça tudo, essa avenida fica tão linda", comentou Angela.
Outro local tomado pelo mato é a academia ao ar livre próxima à Rua Nereu Mendes, no Jardim Nações Unidas. O operador de produção Altair Magno Ventura, de 33 anos, dribla o mato para praticar exercícios. "Aqui está bem abandonado. A pracinha está escondida no meio do mato. E não é só aqui que está com mato alto. Ando pelo bairro e tem locais que desde novembro não passa a roçada", reclama. Segundo eles, as equipes fazem o serviço apenas na região da Avenida Robert Koch. "Na Robert Koch é mais frequente e aqui é esse abandono", lamenta o operador de produção.
O problema se repete em várias outras ruas e avenidas de Londrina, como a Máximo Peres Garcia, no Conjunto Guilherme Pires, na zona leste, e no Jardim Olímpico, na zona oeste.
O diretor de operações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Mauro Andrade, afirmou que as áreas foram roçadas em maio e em outubro. A previsão é que as equipes retornem às regiões ainda em janeiro.
Além da chuva, a rescisão do contrato com a empresa que prestava o serviço para a CMTU também atrasou o cronograma. Esta semana, a Costa Oeste assumiu o serviço. A anterior rescindiu o contrato três meses após iniciar os trabalhos. Esta é a segunda desistência na atual gestão municipal. "Foi uma transição suave. Eles absorveram a mão de obra da empresa anterior. A empresa já conhece acidade e modelo de trabalho", afirmou Andrade. Segundo ele, não houve descontinuidade no serviço.
Andrade revela ainda que a companhia estuda a possibilidade de substituir o capim, que cresce mais rápido, por grama. "Por causa deste crescimento rápido, as empresas têm dificuldades para atender a demanda", destaca.
Em Londrina, são em torno de 5 milhões de metros quadrados de área a serem roçadas. No lote 2, a CMTU provisionou recursos para pagar a roçagem de 3 milhões de metros quadrados. O custo será em torno de R$ 471 mil por mês. A CMTU paga R$ 0,1680 por metro quadrado roçado.