Problemas na rede estadual persistem após greve
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terça-feira, 31 de março de 2015
Viviani Costa<br> Reportagem Local 
Londrina Vinte dias após o retorno das aulas na rede estadual, as escolas ainda tentam se reorganizar para dar continuidade ao planejamento previsto para 2015. Mesmo com a promessa de melhorias por parte do governo do Estado após 29 dias de paralisação, professores e diretores seguem descontentes com as condições de trabalho.
No Colégio Estadual Professor Newton Guimarães, na Vila Brasil (área central), "o excesso de alunos em cada sala de aula compromete o aprendizado". A opinião da professora de inglês Andreia de Azevedo é compartilhada pelo docente de geografia Roberto Cabrera. "Aqui já chegou a ter 45 alunos por turma. Fizemos uma pressão muito grande e conseguimos diminuir um pouco, mas está longe do ideal. Essas salas deveriam ter de 30 a 32 alunos", destacou. As turmas do 9º ano no ensino fundamental e do 2º ano do ensino médio têm entre 37 e 39 alunos. "É difícil controlar os que fazem bagunça com essa quantidade de alunos. Os outros da turma ficam prejudicados", disse a estudante Julia Fernanda Godoy, do 2º ano do ensino médio.
A diretora Sueli Aparecida Braga explica que este não é o único problema. "Está faltando uma professora de matemática e precisamos de mais dois funcionários para o setor de serviços gerais. Até a semana passada nós havíamos recebido apenas macarrão, fubá, arroz, óleo e extrato de tomate para a merenda. Na terça-feira à noite recebemos carne congelada, mas ainda estamos sem frutas, legumes e verduras", comentou. Para evitar mais prejuízos aos alunos, houve um remanejamento na distribuição de livros didáticos e, conforme a diretora, todos os estudantes possuem o material necessário para acompanhar as aulas. O colégio atende 1.100 alunos no total.
Na Escola Estadual Sagrada Família, no Jardim do Sol (zona oeste), a superlotação na sala de aula do 9º ano do ensino fundamental foi resolvida na última semana. A diretora Sandreli Regina Laffranchi conta que a turma, que estava com 44 alunos, foi dividida em duas, com 28 e 16 estudantes. No entanto, faltam professores. "Os docentes que estavam com aulas extraordinárias (professores concursados que assumiram aulas extras) e os chamados PSS (professores temporários) tiveram que deixar as turmas. Isso atrapalha o ensino. Quando o estudante se acostuma com um ritmo e uma metodologia, troca o professor. Isso gera um transtorno no aprendizado", afirmou. Aproximadamente 300 crianças e adolescentes são atendidos todos os dias.
A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina, Lúcia Cortez, garante que os profissionais acompanham a situação de cada escola. Segundo ela, uma resolução da Secretaria de Estado da Educação determina que as turmas do 6º ano devem ter entre 25 e 30 alunos, do 7º ao 9º ano, entre 30 e 35. No ensino médio, cada turma deve ter de 35 a 40 alunos.
No entanto, o núcleo reconhece a superlotação apenas nas turmas do Colégio Estadual Professor Francisco Villanueva, em Rolândia. "Foi um caso pontual. No mais, onde conseguimos criar novas turmas e ocupar espaços ociosos, estamos fazendo", ressaltou. Conforme Lúcia, no caso do Colégio Newton Guimarães, não será possível criar novas turmas. "A escola teve autonomia na hora de matricular os alunos e matriculou a quantidade que achou possível atender. Não há nada que possamos fazer agora", disse.
Na última semana, o governo nomeou 463 profissionais, entre professores e pedagogos aprovados em concurso público. Conforme Lúcia, 34 professores iriam comparecer ao núcleo regional de Londrina na tarde de ontem para a distribuição de aulas de educação física e espanhol. Outros profissionais também iriam ocupar cargos de pedagogo.
Em relação à merenda, Lúcia reconheceu que houve problemas no fornecimento de frutas, verduras e legumes, mas informou que o contrato com a empresa responsável foi assinado e a entrega deve começar a ser feita até o final desta semana.
A Secretaria de Estado da Educação (Seed) informou apenas que a demanda em relação à merenda escolar é pontual, assim como a falta de professores e o excesso de alunos por sala.


