Problemas marcam início do ano letivo em Londrina
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2005
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
Deficiências na distribuição de aulas e falta de organização na oferta de vagas foram os maiores problemas enfrentados pelos diretores e alunos das escolas da rede estadual de ensino ontem, no primeiro dia de aulas de 2005. Disciplinas como Matemática, Educação Física e Educação Artística ainda não contam com professores em várias escolas e algumas delas, como o Colégio Newton Guimarães (Área Central de Londrina), têm listas de espera por vagas com até 500 nomes.
Parte dos 1,3 mil alunos do colégio do Centro da cidade tiveram folgas de até duas aulas na manhã de ontem. ''Acho que ainda não temos professor de Educação Artística nem de Educação Física'', afirmou a aluna de 8 série do Newton Guimarães, Julya Stein Siena. ''Mas em 2004 foi pior. Chegamos a ficar até quatro semanas sem aulas de Geografia no começo do ano passado'', lembrou a aluna Bruna Cristina de Oliveira Danziger, também da 8 série.
O diretor da escola, Roberto Braz Aparecido Cabrera, confirmou as dificuldades enfrentadas pelos alunos devido ao atraso na distribuição de aulas, apesar de garantir que o problema não pode ser considerado grave. ''A distribuição é realmente a nossa maior dificuldade. Temos pelo menos uma turma com a grade curricular ainda não montada por falta de professores'', citou.
Na opinião da vice-diretora da escola, Sueli Aparecida Lopes Braga, as janelas geradas pela falta de professores não são graves, mas podem comprometer a continuidade das aulas e a adaptação dos alunos aos métodos pedagógicos utilizados por cada profissional. ''Cada professor tem um jeito de ensinar e ficar trocando ou atrasando as aulas pode influenciar no rendimento dos alunos'', disse.
Segundo o chefe do Núcleo Regional de Educação, Rony dos Santos Alves, os atrasos na distribuição de aulas devem-se à troca de professores contratados sob o regime da Consolidação de Leis Trabalhistas (CLT) pelos profissionais concursados, iniciada no final de 2003. ''Temos 4,5 mil professores trabalhando pelo Estado em Londrina e destes, 70% já são estatutários. O déficit no quadro de aulas, que no ano passado era de 20%, em 2005 caiu para 4%. Mas ainda temos que admitir que a distribuição realmente atrasou'', disse. De acordo com ele, reuniões ainda estariam sendo realizadas ontem para realocar as disciplinas e professores restantes. ''O problema deve ser resolvido até a próxima quarta-feira'', garantiu.
A falta de vagas também tem provocado situações inusitadas para os diretores do Newton Guimarães. Tido como uma das melhores escolas da cidade, o colégio tem uma fila de espera para matrículas de cerca de 500 nomes. ''No final de 2004, quando começou a procura por vagas, precisamos até colar nas paredes da direção cartazes com avisos de que desacato a funcionários públicos é crime que pode dar cadeia, tamanha era a agressividade dos pais que constatavam que não havia mais vagas para os filhos'', contou Suely.
O chefe do Núcleo Regional de Educação não soube estimar qual é a demanda por vagas na rede estadual de ensino na cidade, mas afirmou que a espera nas escolas é formada por filas aumentadas por inscrições duplas. ''São pseudo-filas. Muitos pais fazem inscrições em duas, três escolas, na ânsia por conseguir vagas. Estas inscrições serão regularizadas e assim poderemos conhecer a real demanda de Londrina. Ainda existem 2,5 mil vagas na rede e que devem ser em breve ocupadas'', concluiu.


