Problemas estruturais comprometem colégio
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quarta-feira, 28 de julho de 2004
Guilherme Gouveia<br>Reportagem Local 
Rolândia É um colégio mergulhado no caos. Uma rachadura de sete metros no corredor principal do prédio assusta quem passa diariamente pelo local. O sistema de fiação, antigo e sem contemplar as mínimas regras de segurança, também é sinônimo de perigo, já que o Corpo de Bombeiros alertou para a iminência de um incêndio na escola. Com uma fenda na parede, e bem próxima de uma área de fossas, uma sala de aula foi interditada como medida de proteção. Com possíveis falhas no sistema hidráulico, o valor da conta de água ultapassa mensalmente a casa do R$ 3,5 mil.
Um exemplo de descaso com o ensino público, o Colégio Estadual Professor Francisco Villanueva, localizado na Vila Oliveira, que atende mais 10 bairros da periferia de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), convive diariamente com a insegurança provocada pela diversidade de problemas estruturais. Segundo o diretor Marco Antonio do Santos, que assumiu no começo do ano, a escola não sabe o que é reforma há 10 anos. ''A última reforma foi há 10 anos, e com a depreciação do tempo, a escola foi sofrendo com a falta de manutenção e chegou hoje numa situação insustentável'', lamentou o diretor. Fundado em 1975, o colégio atende hoje 1.720 alunos em três turnos do ensino médio e fundamental.
Em dias de chuva, os alunos dividem espaço com o desconforto das goteiras. Segundo o diretor, praticamente todas as salas de aula apresentam infiltrações de teto. ''Desde que comecei a dar aulas, a escola tem este problema. Os alunos precisam fazer malabarismos para driblar as goteiras na sala de aula'', disse. O excesso de água no subterrâneo do prédio, provavelmente provocado por vazamento na rede hidráulica, pode ser ainda a explicação para a absurda conta de água do colégio. Neste mês, o valor dela foi de R$ 3.682,84.
''O Estado paga o valor da conta, mas temos suspeita de que há vazamento de tubulação, e este vazamento estaria provocando as rachaduras no chão e nas paredes da escola'', argumentou o diretor. Para ele, o consumo médio de uma escola do mesmo porte seria de 80 a 100 metros cúbicos. ''Estamos gastando dez vezes mais do que isso. Neste mês o consumo chegou a 1.178 metros cúbicos'', prosseguiu.
A infra-estrutura precária do Francisco Villanueva sensibilizou o Ministério Público local. A promotora Lucimara Salles comprou a briga do colégio e decidiu organizar um audiência pública para discutir o assunto. A reunião aconteceria ontem à noite, na escola, com a presença de representantes do Instituto de Desenvolvimento Educacional do Paraná (Fundepar), do Núcleo Regional de Ensino e lideranças do setor educacional. ''A promotora esteve na escola fazendo uma vistoria e ficou indignada como nossa situação. Esperamos que com esta audiência, o processo de liberação do dinheiro para a reforma seja agilizado'', ponderou Marco Antonio.
Apesar das adversidades, o colégio vem cumprindo com rigor suas obrigações pedagógicas. ''Tenho uma equipe de professores muito boa. Eles conseguem superar os problemas com muita força de vontade. Minha equipe é dez neste sentido'', elogiou. Mesmo assim, com a interdição de uma sala de aula, os alunos foram transferidos para o laboratório de informática, que ficará temporariamente desativado. ''Por enquanto, perdemos um recurso didático importante no dias de hoje'', lamentou o diretor.


