Problemas de saúde atrapalham o aprendizado
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segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
João Vitor, 7 anos, é considerado um bom aluno na escola municipal onde cursa a segunda série em Londrina. Há dois anos, entretanto, o menino de sorriso fácil era um problema para a professora e para a direção do colégio. Com dificuldades de aprendizagem, ele tinha mau comportamento e comprometia até mesmo as tarefas dos colegas.
A causa da mudança positiva foram óculos. Com cinco graus de miopia e mais de quatro de astigmatismo, João Vítor não conseguia realizar as atividades propostas simplesmente porque não enxergava. A dificuldade foi observada pela professora do pré, Amélia Satiko Torigoe. ''Ele encostava o rosto na carteira para fazer as tarefas'', recordou.
O diagnóstico veio após um exame de acuidade visual na própria escola, realizado anualmente pela secretaria municipal de Educação com alunos da primeira série de toda a rede do município. Como a família do garoto enfrentava dificuldades financeiras, os óculos foram comprados pela Associação de Pais e Mestres, mediante autorização da secretaria. ''Todos os anos nós identificamos alunos com problemas de visão durante o exame'', contou a diretora Katia Costa Perusso.
O programa mudou a vida de João Vítor, que agora consegue ver o mundo como os outros colegas. ''Antes, o quadro negro era embaçado e eu não entendia nada'', disse ele, que não se importa com as brincadeiras da irmã e da prima sobre o novo acessório. ''Eu nem ligo para elas, prefiro ser eu mesmo.''
Problemas de visão e audição, dores de cabeça, falta de sono e até mesmo a fome ou o frio são causas importantes de dificuldades de aprendizagem entre alunos do ensino fundamental e médio nas escolas públicas de Londrina. Pedagaga do Colégio Estadual José de Anchieta (Área Central), Vilma Maria Rondon Foganholi informou que distúrbios de sono, desordens do processo auditivo (pequenas dificuldades de audição) e a fotofobia (sensibilidade à luz), além de dificuldades de visão, são alguns dos problemas mais comuns observados entre os alunos.
Segundo ela, um em cada quatro estudantes não dorme adequadamente, o que gera irritabilidade, dores de cabeça e falta de capacidade para se concentrar. ''Tem muito aluno que fica até tarde vendo filme ou usando o computador porque não consegue dormir'', relatou.
A orientação aos pais é que eles interfiram para mudar os hábitos das crianças e adolescentes. ''Se não funciona, pode ser necessário procurar um neurologista'', afirmou.
Sensibilidade à luz
A dificuldade em ouvir também influi negativamente no rendimento escolar. ''A criança ouve, mas não compreende o que foi dito. Consequentemente, não aprende os conteúdos'', resumiu Vera. A causa do problema pode ser desde excesso de cera no ouvido até problemas fisiológicos. ''O tratamento é feito com o médico.''
É o mesmo caso da sensibilidade exagerada à luz que entra pela janela da sala de aula. Alunos fotossensíveis, conforme a pedagoga, vivem com os olhos ardendo e lacrimejando. ''Atrapalha bastante'', afirmou, lembrando que óculos com lentes especiais que escurecem ao serem expostas à claridade amenizam a dificuldade.
De acordo com Rosana Lopes, coordenadora da área técnico-pedagógica do Núcleo Regional de Edcuação (NRE), é comum a identificação de pequenos problemas de saúde entre as crianças pelos professores. ''A escola não tem autonomia para levar o aluno a tratamentos de sáude, por isso, se há suspeita, a família é orientada a buscar atendimento'', explicou.
Dulce Romero, coordenadora do setor de educação especial do NRE, e Marlene Mello, assistente de chefia da instituição, lembraram que a dor é uma forte pressão que desloca a atenção do estudante dos conteúdos escolares, ''A consequência é o baixo desempenho e a agressividade.''


