Há 11 anos, Marcos Golenha trabalha como motorista. A rotina estressante e a obrigação de cumprir os horários puxados levaram o profissional a pedir licença por problemas de saúde. Antes de se afastar, Golenha chegou a cochilar no volante enquanto o ônibus estava parado no sinaleiro e também maltratava colegas de trabalho e familiares. Em algumas ocasiões, pegou por engano ruas diferentes da linha em que trabalhava. Depois de ser atendido por médicos, soube que estava com depressão e ficou 11 meses sem trabalhar, tomando fortes medicamentos. Por conta disso teve a carteira de habilitação recolhida. Durante todo o período ficou em casa.
Há dois anos, Golenha voltou a trabalhar. Ele acredita que manter a cabeça ocupada ajuda a melhorar, mesmo o tratamento não tendo sido concluído. ''Ainda não estou totalmente bem. Vou levando'', explica. Para ter direito a dirigir novamente, Golenha parou de tomar os remédios.
Ele acredita que um dos principais motivos da doença é a pressão no trabalho. ''Os fiscais cobram o horário, que é puxado''. Em alguns trechos, os motoristas têm 20 minutos para chegar de um terminal a outro. Muitas vezes, cumprir essa determinação é difícil por conta do trânsito. Alguns amigos de Golenha já chegaram a pagar multas de R$ 30,00 e R$ 60,00.
No local onde o motorista trabalha, outras pessoas já foram afastadas para tratar da saúde. ''A pressão da Urbs é muito grande. Se tem um vendedor ambulante dentro do do ônibus, o motorista é o responsável por tirá-lo. Mas o veículo é grande e não dá pra ver tudo. Se tem um fiscal à paisana, em vez de expulsar o vendedor, ele nos denuncia e diz que não fizemos nada'', reclama Golenha. (D.C.)

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