Problema também afeta jovens
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de julho de 1997
Curitiba 
Leandro TaquesO garoto L.A.C.L., 12 anos, vai ao fliperama três vezes por semana, mas não gasta mais do que a avó permiteEngana-se quem pensa que jogo compulsivo é um problema restrito ao mundo adulto. Já se tornou comum a figura do adolescente que faz um pequeno furto para conseguir dinheiro e ir ao fliperama. Um diálogo hipotético entre dois garotos, utilizado como exemplo na Clínica de Recuperação Nova Esperança, pode dimensionar a situação: - Vamos ao shopping?
- Tô a fim, mas você tem grana para o fliper?
- Não, é só roubar um toca-fita.
- Combinado!
Há quatro meses, o psicoterapeuta Celso Maçaneiro tratou de um adolescente de 13 anos viciado em videogame. Era um garoto dispersivo, filho de pais separados, sem limites, recorda o coordenador da clínica. De acordo com o especialista, o paciente voltou a jogar logo depois do tratamento. A mãe não conseguiu mantê-lo sob controle, justifica.
Muitas vezes usadas como ponto de venda de drogas, as casas de diversões eletrônicas são o tormento de muitos pais. É preciso observar os filhos para saber se não estão furtando dentro e fora de casa para sustentar o vício do fliperama. Identificado o problema, a busca de ajuda deve ser imediata, aconselha Maçaneiro.
Alguns fliperamas procuram reforçar a segurança para assegurar tranquilidade aos pais dos frequentadores. É o caso do Sports Arcade, instalado no calçadão da Rua XV de Novembro. Temos dois vigilantes que circulam o tempo todo pela casa, declara o gerente do estabelecimento, Mário Matos, 28 anos. Isso garante um local exclusivo para diversão, emenda.
Essa segurança é encontrada por L.A.C.L., 12 anos, que vai ao fliperama três vezes por semana. Minha avó dá o dinheiro e me controla. Nunca jogo mais que quatro créditos, diz o garoto. Ele conta que as boas notas na escola têm garantido a mesada para disputar corridas de automóveis e batalhas aéreas virtuais. Talvez esteja aí uma alternativa de patrulha saudável. (D.J.)


