Leandro TaquesO garoto L.A.C.L., 12 anos, vai ao fliperama três vezes por semana, mas não gasta mais do que a avó permiteEngana-se quem pensa que jogo compulsivo é um problema restrito ao mundo adulto. Já se tornou comum a figura do adolescente que faz um pequeno furto para conseguir dinheiro e ir ao fliperama. Um diálogo hipotético entre dois garotos, utilizado como exemplo na Clínica de Recuperação Nova Esperança, pode dimensionar a situação: - Vamos ao shopping?
- Tô a fim, mas você tem grana para o ‘fliper’?
- Não, é só roubar um toca-fita.
- Combinado!
Há quatro meses, o psicoterapeuta Celso Maçaneiro tratou de um adolescente de 13 anos viciado em videogame. ‘‘Era um garoto dispersivo, filho de pais separados, sem limites’’, recorda o coordenador da clínica. De acordo com o especialista, o paciente voltou a jogar logo depois do tratamento. ‘‘A mãe não conseguiu mantê-lo sob controle’’, justifica.
Muitas vezes usadas como ponto de venda de drogas, as casas de diversões eletrônicas são o tormento de muitos pais. ‘‘É preciso observar os filhos para saber se não estão furtando dentro e fora de casa para sustentar o vício do fliperama. Identificado o problema, a busca de ajuda deve ser imediata’’, aconselha Maçaneiro.
Alguns fliperamas procuram reforçar a segurança para assegurar tranquilidade aos pais dos frequentadores. É o caso do Sports Arcade, instalado no calçadão da Rua XV de Novembro. ‘‘Temos dois vigilantes que circulam o tempo todo pela casa’’, declara o gerente do estabelecimento, Mário Matos, 28 anos. ‘‘Isso garante um local exclusivo para diversão’’, emenda.
Essa segurança é encontrada por L.A.C.L., 12 anos, que vai ao fliperama três vezes por semana. ‘‘Minha avó dá o dinheiro e me controla. Nunca jogo mais que quatro créditos’’, diz o garoto. Ele conta que as boas notas na escola têm garantido a ‘mesada’ para disputar corridas de automóveis e batalhas aéreas virtuais. Talvez esteja aí uma alternativa de ‘patrulha’ saudável. (D.J.)

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