Problema renal em crianças exige atenção
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sexta-feira, 20 de março de 2009
Carolina Gabardo Belo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de sensibilização a respeito de doenças renais em crianças prejudica o diagnóstico precoce e permite o desenvolvimento silencioso da doença. Enquanto os adultos já estão mais conscientes sobre o perigo da diabete e hipertensão para os rins, o diagnóstico tardio causa problemas irreversíveis aos pequenos.
Doenças renais só são identificadas a partir da realização de exames. Com as crianças, os principais são a verificação da pressão arterial e exames de urina. A falta de conscientização, porém, impede que os pais saibam da importância destes procedimentos.
A nefrologista Rejane Meneses, do Hospital Pequeno Príncipe, conta que a verificação da pressão arterial não é obrigatória nas consultas pediátricas. A solicitação do exame por parte dos pais é uma alternativa para identificar alterações no organismo das crianças. De acordo com a médica, a hipertensão é responsável por cerca de 10% das doenças renais entre a população pediátrica. Também é comum a hipetensão arterial decorrente de problemas nos rins.
A desinformação a respeito da prevenção de doenças renais em crianças é tamanha que, em muitos casos, os pacientes atendidos são encaminhadas diretamente para diálise. Outra alternativa de tratamento é a chamada conservadora, menos agressiva e que utiliza medicamentos.
Falta de crescimento, anemia, infecção urinária e a ocorrência de xixi na cama em idade avançada podem significar problemas renais. A nefrologista aponta ainda a preocupação com crianças obesas e com colesterol alto. Para alertar os pais a respeito do problema, o Hospital Pequeno Príncipe realizou ontem avaliações gratuitas de hipertensão arterial e exames de urina em crianças e adolescentes.
''É fundamental a avaliação, pois depois da ocorrência de lesão crônica não tem o que fazer'', alerta Rejane. No ano passado, 346 crianças e adolescentes passaram pelas avaliações. Destes, 9% tinham alterações na pressão arterial e 19,6% apresentaram alternações na urina.
Preocupada com o problema de bexiga hiperativa diagnosticado em janeiro no filho Gabriel, 6 anos, a pedagoga Rosana Carvalho, 47, não sabia da possibilidade de doenças renais. Ontem, ela aproveitou a consulta à fisioterapeuta para realizar a avaliação. ''Tinha desconhecimento total (sobre a doença em crianças). Achava que acontecia apenas com adulto'', conta a mãe.
Acompanhado por especialistas da área, Gabriel verificou sua pressão arterial e analisou a urina. ''O cuidado precisa ser desde pequeno. A iniciativa é maravilhosa'', comemora o resultado positivo. O pequeno Mateus Henrique dos Santos, 5, também passou pelos exames. O pai de Mateus, Valdirio dos Santos, 33, também não sabia de problemas renais em crianças. ''Enquanto jovem é melhor prevenir. Muitas pessoas não sabem que têm (doença nos rins) e quando descobrem já é tarde'', alerta o pai.


