Problema não é só cultural, diz psicóloga
Segundo a psicóloga Lídia Weber, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), no Brasil a adoção começou a ser tratada com seriedade há menos de 20 anos. ''Há todo um histórico cultural e social que gera um preconceito muito grande'', diz. Ela afirma que muitas vezes a criança vai para um abrigo estatal ainda muito nova, mas fica lá por muito tempo até que a Justiça destitua o pátrio poder da família e encaminhe a criança para adoção. Ilustrar a dimensão do problema é simples: segundo o Tribunal de Justiça do Paraná o estado tem mais de quatro mil crianças e adolescentes abrigados. ''Mas só 10% disso está apto para adoção'', informa Jane Pereira Prestes, Comisão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja).
A situação já foi pior, diz Lídia. ''Há 20 anos esse percentual era de 5%'', aponta. Recentemente a legislação mudou e passou a estipular um prazo de dois anos para que uma criança ou adolescente fique sob custódia do Estado. Durante esse período o Judiciário tem que conduzir reavaliações da situação a cada seis meses.
''A prioridade é fazer com que a criança volte para a família biológica'', alerta o juiz da Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Nicolau Lupianhes Neto. Mas quando todas as alternativas se esgotam, a criança ou adolescente é encaminhado para adoção. É quando começa mais uma espera, dessa vez por uma pessoa ou casal dispostos a adotá-lo. (R.C.F)





