Para a pedagoga Zuleika Piassa, docente do Departamento de Educação da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenadora do curso de Pedagogia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), não se deve analisar a questão do baixo aproveitamento escolar exclusivamente como um problema da escola. O problema é reflexo, na opinião da educadora, de como a sociedade está funcionando e se está ou não priorizando a educação. ''O poder público não se mobiliza mais em torno da educação porque a própria sociedade não prioriza o assunto.''
Outro problema, segundo a pedagoga, é o excesso de programas e projetos paliativos e a falta de políticas públicas efetivas, que durem ao menos uma década e que sejam pensadas como um investimento a longo prazo. ''Infelizmente esta carência se reflete nas novas gerações. Elas não são o problema, e sim o sintoma de uma série de questões de natureza social'', diz Zuleika.
A educadora lembra ainda que há um discurso recorrente sobre a responsabilidade dos pais na educação dos filhos, mas, segundo ela, não dá para simplesmente culpá-los pelos problemas sem analisar o tempo que eles passam no trabalho e com que idade tornaram-se pais, por exemplo. Para Zuleika, o fato de muitos tornarem-se pais na adolescência mostra que falta uma política efetiva que oriente o jovem também no campo da educação sexual. (S. L.)

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