Problema é percebido com o sofrimento
Para B., o alto consumo começou ainda na infância. Toda semana minha mãe tinha que comprar algo para mim, lembra. Depois, na adolescência, quando começou a trabalhar como modelo, gastava todo o dinheiro que ganhava em roupas. Eu ia para São Paulo com uma mala vazia e voltava com ela cheia de roupas e sapatos. No banco, o limite do cheque passou de R$ 300,00 para R$ 700,00, depois para R$ 1,2 mil até chegar a R$ 2 mil. E, eu gastava tudo, usava como se o dinheiro fosse meu. Cheguei a fazer um cruzeiro sem ter dinheiro, diz.
Como acontece com a maioria das pessoas que sofre de compulsão, segundo a psicóloga Mírian Perandrea, B. só começou a perceber que tinha um problema por causa do sofrimento. Ela sofria com o estresse para cobrir a conta no banco e para pagar os juros do cartão de crédito e dos empréstimos que havia feito justamente para pagar as compras. Era muita dor de cabeça e isso gerou uma ansiedade grande.
Com a ajuda dos pais, ela conseguiu um empréstimo com juros baixos e procurou uma psicóloga. Durante três anos fiquei sem limite (na conta do banco), sem cartão de crédito e sem cartões de lojas, e a terapia até hoje é importante, afirma. Com a psicoterapia ela conseguiu separar a ansiedade da necessidade real de comprar. Hoje eu tenho poupança e faço compras duas vezes por ano, nas liquidações de inverno e de verão. (C.P.)





