Problema é histórico
Mobilidade urbana é um tema debatido há pouco tempo e um problema histórico, herdado da falta de planejamento urbano no passado. Segundo o geógrafo Fábio César Alves da Cunha, professor do Departamento de Geociência da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que trabalha com planejamento urbano, as opções para solucionar o problema são investir em infraestrutura, com a construção de viadutos, e a readequação viária.
"Os gestores investem em infraestrutura para o carro e daí vira a cidade do carro e não do cidadão", afirma Cunha. Para ele, mais do que investir em obras viárias, é necessário investir em transporte público eficiente e com integração com outros meios de locomoção, como a bicicleta.
A implantação de ciclovias precisa levar em consideração o ser humano. "Hoje você vê as prefeituras colocarem ciclovias em vias rápidas, e isso também ocorre em Londrina. É preciso um trabalho de mudança cultural e diminuição da velocidade das vias urbanas", ressalta Cunha. Essa é uma tendência percebida em cidades europeias e americanas.
O que se percebe é que os grandes centros brasileiros andam na contramão desta tendência. "As prefeituras fazem obras para reduzir esses gargalos. Curitiba, por exemplo, fez mudança no sentidos das vias. Mas atitudes assim apenas viabilizam o tempo e, de novo, volta-se a cidade para o carro e o pedestre fica sem vez", enfatiza o geógrafo.
As ciclovias são necessárias, porque o cidadão cada vez mais sente vontade de interação com o meio ambiente e vem utilizando a bicicleta para manter uma vida saudável e também como um meio de transporte. Mas na opinião do professor, o trânsito deixa o pedestre e o ciclista vulneráveis e isso se reflete em indicados que levam em consideração mobilidade como o IVS. "São necessários transportes coletivos rápidos, eficientes e modernos e ciclovias, mas integrados na busca de um trânsito mais humano. E, para isso, é preciso uma redução da velocidade nas vias dentro das cidades, intensificação da sinalização da cidade, que em Londrina é deficitária, e campanha de educação", afirma Cunha. (A.M.P.)





