O diretor-presidente do IAP, José Antonio Andriguetto reconhece que o órgão tem deficiências na fiscalização apontadas pela promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Segundo ele, os problemas são causados pela falta de pessoal e de estrutura. Andriguetto entretanto discorda das críticas feitas ao trabalho do IAP e considera saudável as diferenças de visão sobre como o instituto deve proceder durante as fiscalizações. ‘‘O trabalho da promotoria é o nosso braço direito ao levantar questões importantes, mas nós temos a liberdade de decidir o que fazer para adequar o interesse do empreendedor ao da população e do Estado’’, diz.
Albari RosaEm meio à paisagem vista de dentro do trem que desce de Curitiba para Paranaguá é possível ver uma pedreira, misturada com as árvores da Mata Atlântica
Andriguetto afirma que a avaliação é feita por análises técnicas que levam em conta diversos fatores, como a poluição sonora, do ar e a emissão de gases e líquidos. Ele conta que se forem constatadas irregularidades a empresa pode ser autuada, pagar multas e responder a procesos por crime ambiental. ‘‘A sociedade industrial exige a degradação do ambiente, mas a função do IAP é amenizar os reflexos negativos pela imposição de medidas mitigadoras e compensatórias’’, diz. ‘‘Não podemos esquecer que essas indústrias geram empregos que sustentam famílias e não podem ser simplesmente fechadas’’.
Segundo Andriguetto, o governo Jaime Lerner ampliou de R$ 30 milhões para R$ 100 milhões o orçamento anual do IAP para 1998, e vem trabalhando para recuperar a estrutura do órgão, que hoje conta com 860 funcionários, 360 veículos e 57 barcos distribuídos por 20 escritórios regionais. Mas ele afirma que a gestão compartilhada é a única forma de fazer com que a legislação ambiental seja obedecida. ‘‘Não adianta um batalhão de fiscais se o indivíduo depende da destruição do ambiente para a sua sobrevivência’’. (G.V.)

mockup