Problema é excesso de armas em circulação
Curitiba Essa é a opinião do coordenador do Grupo de Estudos da Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê de Moraes. Ele entende que as situações de confronto armado são resultado do excesso de armas na sociedade. Para o professor, esse é o ponto a ser atacado nas políticas de segurança pública. A iniciativa do governo do Estado de proibir o porte de arma no Paraná e controlar a permissão do uso já foi um importante passo, concordou o estudioso. A proibição da venda de armas está sendo discutida no Congresso Nacional. Bodê também defende que é preciso treinar melhor os policiais para que eles saibam em que situações de abordagem devem responder a fogo.
O advogado criminalista Júlio Militão tem a mesma opinião sobre a necessidade de ações de desarmamento. ''Essas mortes em Curitiba são uma prova inequívoca do excesso de armas'', disse. Ele ataca os que acreditam que a proibição da venda não resolveria o problema, pois as armas continuariam entrando no País por contrabando. ''São armas brasileiras que estão nas mãos dos trombadinhas, das gangues e dos assaltantes de sinaleiro'', destacou.
O chefe do Estado Maior, coronel Itamar dos Santos, garante que os policiais militares são muito bem treinados para atuar nas abordagens e que, portanto, não se trata de despreparo, mas de eventuais falhas. O policial, segundo ele, passa por treinamento durante seis meses antes de ir para as ruas e por reciclagens semanais. ''Nossos policiais são orientados a jamais atirar em situações como essa'', destacou Itamar dos Santos, referindo-se ao caso do garçom Jonis Proença, 21 anos, morto em tiroteio entre PM e um assaltante. A orientação dada, explicou o coronel, é a de que é preferível deixar que o criminoso fuja quando há risco de atingir civis.
As mortes por bala perdida em Curitiba acenderam uma discussão sobre o uso do termo. O delegado titular da Homicídios, Stélio Machado, afirma que os casos registrados na Capital são tratados pelo Código Penal como ''erro de pessoa'', pois os tiros tinham ''endereço'', mas acabaram atingindo inocentes. Ele entende que o termo ''bala perdida'' se aplica quando alguém está atirando a esmo e acaba fazendo vítimas. Nas duas situações, o autor dos disparos não se livra do indiciamento por homicídio doloso.





