Quando nasceu o terceiro filho da costureira Miriam Gonçalves de Souza, moradora do Conjunto Novo Amparo, Zona Leste de Londrina, ela precisou optar entre encontrar alguém para cuidar dos filhos ou deixar o emprego. A creche do bairro tem uma longa fila de espera e só atende crianças com mais de 2 anos. ''Como não encontrei vaga em nenhum berçário da região e ele era muito pequeno, fiquei com dó de deixá-lo com outra pessoa'', conta. Na ocasião os outros dois filhos tinham 4 e 5 anos.
Há mais de um ano Miriam vem batalhando para conseguir uma vaga para o filho, que já está com 1 ano e 7 meses, mas sem sucesso. Ela explica que só vai ficar tranquila no serviço se encontrar um lugar onde tenha a certeza de que o filho vai ser bem tratado.
No começo do ano ela soube que a creche do Conjunto Farid Libos (Zona Norte) ia ampliar as instalações e tentou inscrever o filho. ''Infelizmente as duas salas novas eram para as crianças maiores. Disseram que vão aumentar o berçário também, mas não tinham previsão de quando. Já tentei de tudo'', diz.
Inês Gonçalves do Carmo passa pelo mesmo problema. Ela mora no Conjunto Ouro Verde, Zona Norte da cidade, e ficou muito tempo parada porque não encontrava vaga para o filho que está hoje com 1 ano e 8 meses de idade. ''O berçário da minha região não tem vaga e eu não tinha com quem deixar meu filho. A situação é muito difícil porque a gente precisa trabalhar'', argumenta.
Há três meses ela conseguiu um emprego e resolveu deixar o filho em uma creche da Zona Sul. Todos os dias ela sai de casa e vai até a creche, deixa o filho e pega um novo ônibus até o Jardim dos Bancários (Zona Oeste). A noite, sai do trabalho, vai até a creche; pega o filho e volta para casa. ''São quatro ônibus todos os dias. Além de ficar muito caro, a gente fica muito cansada'', afirma.
Agora ela está tentando uma vaga no Centro de Educação Infantil Esperança, que fica perto de seu trabalho. Mas, além da fila, o Centro só atende crianças a partir dos dois anos, idade que o filho de Inês só vai completar em março do próximo ano. ''Se eu não conseguir vou ter de largar o emprego. Não sei mais o que fazer'', lamenta.

mockup