A reportagem encontrou Fernanda de Souza e Alisson Borges nos últimos minutos do pré-operatório e pôde constatar a ansiedade que precede o grande momento. Eles tentavam - inutilmente - parecer tranquilos. Porém, a agitação era visível.
Alisson abriu o caminho e, por volta de 14 horas, entrou no centro cirúrgico. Uma hora depois, o procedimento era finalizado com sucesso. Segundo a psicóloga Denise Regina Disaró Carlesso, chefe do serviço de Psicologia do Hospital Universitário da UEL, a probabilidade de satisfação destas crianças e dos outros pacientes é muito grande porque buscam a mudança.
''As orelhas em abano compõem a imagem que a pessoa faz de si desde sempre. Esta característica torna-se um incômodo a partir do momento que a diferença é causa de exclusão social. Há pessoas que superam esse conflito e não desejam a mudança. Mas isso dependerá do indivíduo e a maneira como aprenderá a enxergar essa diferença. Podemos dizer à criança, por exemplo, que aquilo é sua marca registrada, que de maneira alguma a diminui perante o grupo. No entanto, se isso não resolver, a cirurgia é certamente uma boa opção'', explicou Denise.
Ainda conforme a psicóloga, qualquer transformação física que alterar a auto-imagem corre o risco de frustrar o paciente. É o lado ruim da experiência. (B.R.)
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