Pró-reitor da Unifil reclama atitude e diz que foi falta de respeito
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segunda-feira, 27 de agosto de 2007
Guilherme Borges<br> Reportagem Local 
O pró-reitor de Ensino e Graduação da Unifil, José Gonçalves Vicente, afirmou que a instituição não havia sido informada sobre a desocupação e que alunos e professores foram pegos de surpresa. ''No dia 7 de agosto, recebemos um documento da prefeitura solicitando que desocupássemos, em 72 horas, dois lotes, entre os sete que ocupamos na quadra. Só que isso não se faz de uma hora para outra, pois não se tem espaço disponível.''
Para resolver o impasse, um documento foi enviado à prefeitura solicitando mais tempo para desocupação. O pedido foi indeferido através de outro ofício, datado de 15 de agosto. ''O fato curioso é que eles estão derrubando coisas que não constam aqui (no ofício enviado pela prefeitura). Aqui constam lotes que não são salas de aula e eles estão arrebentando exatamente as salas de aula.''
Ele ainda enfatizou que instituição não havia sido informada sobre a desocupação de todos os lotes. Destacou que, depois de iniciado o processo de desaproprição e pedido de posse, a prefeitura realizou o depósito do valor em juízo (R$ 100 mil) e na sequência foi pedida a imissão de posse, sendo que a última etapa foi a demolição dos lotes.
Ontem, no mesmo horário em que o oficial de Justiça notificava a instituição, representantes da universidade se reuniam com o prefeito Nedson Micheleti e com o secretário de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas, para tratar de uma construção que será realizada pela Unifil. ''Durante três horas, as duas equipes ficaram conversando (prefeitura e Unifil) e em nenhum momento a prefeitura avisou que aqui tinha um batalhão de gente e tratores derrubando sem nenhuma clemência.''
Ele ainda destacou estar indignado com a ação da prefeitura e que a decisão teria sido arbitrária. ''Uma falta de respeito e de cidadania. Uma instituição que está há 60 anos em Londrina, ajudando a cidade no desenvolvimento intelectual e financeiro, no entanto, é assim que o poder público se vê: no direito de afrontar a própria cidadania.''
O diretor de Bens da Secretária Municipal de Gestão Pública, Pedro Afonso Figueiredo, assegurou que a Unifil já havia sido notificada e estava ciente da necessidade de desocupação. ''Eles foram citados pelo juiz e portanto estavam cientes de todo o processo. Sabiam que teriam que desocupar aqueles terrenos.''
Já o secretário de Obras informou à reportagem da FOLHA que a reunião realizada ontem na prefeitura era para tratar de outro assunto. ''Como eles não falaram nada, nós discutimos o que estava em pauta.'' Sobre a posse dos terrenos, ele afirmou que a definição só foi tomada após decisão judicial e que toda a ação realizada ontem teve acompanhamento de um oficial de Justiça.


