Privatização não preocupa famílias
Mesmo com o perigo representado pelas barracas instaladas às margens da BR-376, e a irregularidade da ocupação da faixa de domínio da rodovia, o escritório regional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) de Ponta Grossa não irá fazer nada contra os vendedores. É o que garante o engenheiro-chefe Hélio Carlos Madalozo.
Ele afirma que as barracas já estavam montadas quando o DNER assumiu a responsabilidade pela manutenção da BR, em 1988. Anteriormente, a responsabilidade era do governo do Estado. Madalozo disse que o DNER tentou fazer acordo com os comerciantes para a saída da faixa de domínio. Chegamos a solicitar à Polícia Rodoviária Estadual para desimpedir o trecho, mas não fomos bem sucedidos, comenta.
Madalozo acredita que o tempo em que os comerciantes estão instalados irregularmente, faz com que fiquem mais hostis. Na época, comunicamos o DNER em Curitiba. Mas a nossa prioridade é a recuperação da estrada e não a retirada destas família. Só poderíamos pensar no que fazer com os invasores, depois que a estrada ficar boa, ressalta.
Para o engenheiro-chefe, a falta de recursos do Governo Federal tem emperrado os trabalhos na região. Dependemos do orçamento da União, que sempre tem cortes. Depois de definidos os recursos, a liberação é demorada. Aí não temos como aplicar da forma como necessitamos, desabafa. O DNER tem por meta melhorar o nível de conservação da rodovia para depois se preocupar com os comerciantes.
O Ministério dos Transportes e o governo do Estado assinaram, em outubro, um convênio cedendo ao Estado as rodovias federais do Paraná, que compõem o anel de integração rodoviário. Madalozo garante que, apesar de a conservação da rodovia já estar sob controle do governo estadual, o DNER não deixará os trabalhos na estrada imediatamente.
No projeto do governador Jaime Lerner, o Estado pretende ceder a rodovia à iniciativa privada, que explorará o trecho e, em contrapartida, dará manutenção. No projeto também consta a duplicação do trecho, ligando o Norte ao Sul do Estado.
As famílias de comerciantes instaladas às margens da BR-376 não estão preocupadas com a privatização e não acreditam que a duplicação e a retirada deles da rodovia aconteçam imediatamente.





