A privatização das ferrovias paranaenses reduziu em dois terços o número de funcionários do setor. Conforme dados do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias nos Estados do Paraná e Santa Catarina (Sindifer), a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) possuía 3,8 mil empregados apenas no Paraná.
Hoje, de acordo com a entidade, o número de trabalhadores não ultrapassa 1,3 mil – 1,2 mil na América Latina Logística (ALL), que assumiu a maior parte da malha no Estado, e outros 100 na Ferropar, empresa que opera a antiga Ferroeste, entre Guarapuava e Cascavel. A ALL afirma possuir 1,7 mil funcionários no Estado. A Ferropar confirma o número divulgado pelo sindicato.
O vice-presidente do Sindifer, Enio Prestes, aponta a sobrecarga de trabalho como principal consequência da redução de pessoal. ‘‘Eles conseguiram a proeza de aumentar a produtividade com um terço do pessoal’’, compara. Essa situação, segundo Prestes, levou ao aumento do número de viagens por maquinista e à redução do tempo de descanso entre uma partida e outra. No período estatal, esse intervalo seria de 15 a 16 horas. Com a privatização, teria caído para dez horas.
Outra consequência foi a extinção do cargo de ajudante de maquinista. Hoje, o condutor de trens viaja sozinho. Na avaliação do sindicato, isso representa aumento do estresse do profissional e estaria contribuindo para a ocorrência de acidentes.
‘‘O ajudante tinha mais visão nas passagens de nível (cruzamento de ferrovia com rodovias ou ruas) e ajudava a evitar atropelamentos’’, conta um funcionário que prefere não ser identificado. Atualmente, os maquinistas só não viajam sozinhos em situações eventuais – quando as empresas colocam aprendizes nas locomotivas.
O preparo de futuros maquinistas também estaria sendo afetado pelas medidas adotadas pelas concessionárias. De acordo com o Sindifer, quando as ferrovias eram estatais, a formação de um maquinista durava, em média, três anos. Atualmente o período de preparação teria sido reduzido para apenas um sexto desse tempo – seis meses.
Outra crítica do sindicato é direcionada à contratação de empresas terceirizadas para a realização de alguns serviços sob a responsabilidade das concessionárias. Segundo o vice-presidente do Sindifer, o pessoal dessas empresas não é qualificado para executar o trabalho.

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