O secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, já esperava que a PIC de Londrina acentuasse o número de prisões envolvendo policiais. ''Eu não tinha dúvidas de que isso iria acontecer. Isso aconteceu em Curitiba, está acontecendo em Cascavel e vai continuar acontecendo em Londrina. O bom é que a corrupção está sendo combatida'', analisa.
Segundo Delazari, a atuação da PIC deve ser avaliada sob dois aspectos principais. O primeiro é que o trabalho específico dessa estrutura de combate aos crimes envolvendo policiais a PIC foi criada para atuar também contra o crime organizado pode servir de estímulo para o policial honesto combater internamente os delitos cometidos por seus pares. ''Muitas vezes, existe a dificuldade de se fazer o combate a esse tipo de corrupção porque não existem parceiros dentro da instituição para ajudar e o policial acaba se isolando ou fazendo parte de algum gueto'', aponta o secretário. O segundo aspecto é que, conforme Delazari, a PIC está trabalhando intensamente no combate de crimes praticados por homens fardados.
O secretário também concorda que o formato da PIC dá mais tranquilidade à pessoa que denuncia. ''É um trabalho mais qualificado, com a atuação conjunta do Ministério Público e das polícias Civil e Militar. A população sente isso e denuncia mais as ilicitudes.'' Quanto aos novos policiais que estão sendo formados neste governo, Delazari garante que o recado contra a corrupção é dado diariamente. ''Para esse governo, a corrupção é combatida em todas as esferas, mas principalmente a policial, que é a pior e a mais odiosa que existe. Aquele policial que não se enquadra nesse perfil ou vai ser expulso da corporação ou vai ser preso'', conclui.
O delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Jurandir Gonçalves André, também destaca que a PIC está dando uma contribuição importante para restabelecer a moralidade administrativa nas polícias. ''Para aqueles policiais empenhados em trabalhar corretamente é muito bom'', comenta. Ele admite que a imparcialidade da PIC dá mais segurança ao denunciante, mas lembra que a Polícia Civil também dispõe de meios, como o disque-denúncia (147), para receber esse tipo de informação.
Já o comandante interino do 5º Batalhão da Polícia Militar, major Devaldir Amadei, rebate a afirmação de que a população tenha mais segurança em denunciar policiais à PIC do que ao comando. Ele disse que o disque-denúncia da PM (161) e ele próprio recebem pessoas que tenham reclamações envolvendo policiais militares. ''São coisas que investigamos para checar se o fato realmente ocorreu, responsabilizamos o policial quando ele deve. Quando (o policial) não deve, também chamamos a pessoa à responsabilidade por ter feito uma falsa denúncia'', aponta. ''A Polícia Militar e outras instituições públicas têm que dar o bom exemplo e aqueles que tomam rumo diferente daquele compromisso que assumiram quando ingressaram na corporação têm que ser responsabilizados à luz da Justiça e com julgamento justo''.

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