Apesar de não terem cometido qualquer crime, muitos paranaenses têm que limitar sua liberdade na tentativa de preservar a própria vida. São testemunhas de crimes graves, adolescentes em situação de risco de morte, defensores de direitos humanos e mulheres vítimas da violência doméstica que abrem mão do direito constitucional de ir e vir para continuarem vivos.
No Brasil, o Sistema Nacional de Proteção às Pessoas Ameaçadas, coordenado pela Secretaria Nacional de Direitos Humanos, congrega três programas cujo objetivo principal é evitar a morte de inocentes envolvidos em situações de violência. São eles o Programa de Proteção a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas (Provita), o Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM) e o Programa de Proteção a Defensores de Direitos Humanos.
Em nível municipal, os abrigos específicos para atender mulheres vítimas da violência também reduzem a liberdade daquelas que, agredidas pelos companheiros, têm que resignarem e recolherem-se às instituições para continuarem vivas. Enquanto isso, os autores dos crimes, em muitos casos, permanecem livres e reiterando as ameaças.
Para o diretor nacional de Defesa dos Direitos Humanos, Fernando Matos, os programas trouxeram avanços importantes no combate à impunidade e proteção das pessoas ameaçadas. ''O Provita é a política pública mais eficaz que o estado brasileiro possui para combater a impunidade. Milhares de pessoas foram presas e há centenas de processos instruídos, CPIs instauradas e grupos criminosos desbaratados em função dele'', analisou.
Já o programa dos defensores chama a atenção pelo ineditismo. ''Nos orgulha o fato do Brasil ser o primeiro país a assumir o compromisso com a defesa dos defensores dos direitos humanos'', disse. Por seu lado, o PPCAM escancara a necessidade de intensificar o combate à violência cometida contra crianças e adolescentes. ''O programa originou-se do fato de o Brasil ter um dos maiores índices de mortes de jovens do mundo.''

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