As cenas de assalto a postos de combustível protagonizadas por adolescentes estão se tornando rotineiras em Londrina. Na noite de terça-feira, o alvo foi o Posto Santa Cruz, na Avenida JK. Às 22h30 um adolescente entrou na loja de conveniência do posto, pediu um maço de cigarros e na sequência sacou um revólver. O prejuízo financeiro foi inferior a R$ 100,00; mas o problema da violência foi mais uma vez escancarado.

Agredido e agressor são vítimas da falta de perspectivas, da crise econômica, da falência das relações humanas. De um lado uma parte da sociedade que não sabe como fazer para se proteger dos assaltos constantes. De outro, um número cada vez maior de adolescentes de várias classes sociais desassistidos afetiva, financeira e culturalmente.

Na opinião da promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Edina de Paula, o desafio é justamente tratar as famílias que não conseguem impor limites a seus filhos e desenvolver projetos que consigam estabelecer estes parâmetros para o infrator.

''A educação dentro de casa não mais é um problema familiar, mas do poder público'', diz. ''Informalmente já conversei com o prefeito (Nedson Micheleti) sobre o assunto. Ele falou sobre a possibilidade de trazer um terapeuta familiar do Recife especialista no tema para capacitar profissionais que trabalhariam com as famílias dos adolescentes.''

Outra questão é a recuperação dos jovens que reincidem na criminalidade. Edina de Paula ressalta que prendê-los só reforça a marginalidade. ''A prática demonstra que os jovens que vão para o Educandário São Francisco em Curitiba, por exemplo, voltam profissionais em criminalidade'', afirma.

A promotora defende a criação de um espaço para os jovens com mandado judicial onde passem o dia em atividades física, pedagógica, profissionalizante, culturais e com atendimento médico, psicológico e outros; e durmam em casa. Um projeto desta linha já está em estudo numa parceria da Vara da Infância e Juventude e a Polícia Militar.

Hoje existem projetos específicos para cada uma dessas atividades, mas os adolescentes infratores muitas vezes se recusam a frequentá-los; assim como a escola. ''O problema nas escolas é que não mudam a forma de ensinar'', diz. ''Muitos professores esperam que estes jovens fiquem sentados absorvendo um conteúdo que pouco lhes interessa.''

Diante do desinteresse e suas consequências, como a indisciplina, muitos educadores, de acordo com a promotora, não sabem como agir e acabam excluindo estes adolescentes que deixam a escola. A idéia do projeto em estudo é, justamente, capacitar os profissionais que irão trabalhar com esses jovens.

Edina de Paula cobra também a participação da sociedade na recuperação desses adolescentes. Ela afirma que municípios como Caxias do Sul (RS), Santo Ângelo (RS) e Blumenau (SC) conseguiram reduzir o índice de reincidência criminal de adolescentes infratores em até 4%, com o envolvimento da comunidade.

Segundo a promotora, falta para esses jovens um vínculo afetivo com a vida. ''Este vínculo pode ser estabelecido por pessoas que se liguem a eles através de serviços como o de liberdade assistida e prestação de serviço à comunidade. É difícil, dá trabalho, mas não existe solução mágica para a questão da violência'', alerta.

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