Prisão de Rosemary completa 3 anos
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terça-feira, 04 de maio de 1999
Áureo Nogueira 
A londrinense Rosemary Garcia Ferreira, presa há três anos no Paraguai, continua sem perspectiva de ser solta. Ela foi detida em 4 de maio de 1996, no aeroporto de Assunção com quatro quilos de cocaína amarrados no corpo.
Acusada de tráfico internacional de droga, Rosemary luta para provar que foi vítima de uma armadilha. Ela defende-se alegando que foi obrigada a transportar a droga sob ameaça de verdadeiros traficantes. A brasileira apresenta provas de que deixou de ser telefonista e atendeu a um anúncio de emprego que oferecia serviço de secretária de executivos em viagem à Europa. No Paraguai, teria sido obrigada a carregar a droga sob ameaça de morte.
Várias testemunhas compareceram à Justiça paraguaia - entre elas o então deputado federal Nedson Micheleti, o juiz do Trabalho Reginaldo Melhado, e o vereador londrinense Célio Guergoletto, que propôs projeto de lei exigindo identificação e termo de responsabilidade para quem oferece em anúncio emprego para modelos, secretárias e outras atividades.
Outras testemunhas foram ouvidas pela Justiça brasileira, através de carta rogatória (a pedido da Justiça paraguaia). Depois do depoimento de todas as testemunhas e da apresentação de documentos que comprovam que Rosemary caiu em uma armadilha, seus advogados requereram a desclassificação do crime de tráfico internacional para porte de drogas.
Na primeira situação, a pena varia de 15 a 25 anos. Na segunda, de 5 a 15 anos. Neste caso, mesmo condenada, ela poderia ser libertada pelo tempo que já ficou na prisão.
O juiz paraguaio, entretanto, indeferiu o pedido e a defesa apresentou recurso. Por isso, fica indefinido o julgamento da brasileira. Mesmo já tendo sido concluída a fase probatória do processo.
Na semana passada, Narciso Pires, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, esteve em Londrina e propôs a criação de Comitês de Apoio a Rosemary, como já ocorreu em favor de outros brasileiros presos no exterior, como Flávia Schilling, presa no Uruguai nos anos 70 por participar da resistência democrática daquele país, e Lamia Maruf, acusada de participar de grupo terrorista pró-Palestina.
Temos convicção da inocência de Rosemary e continuamos pedindo apoio de todos, especialmente das autoridades brasileiras, para que ela tenha um julgamento justo e seja absolvida desta acusação, disse ontem à Folha o advogado Jorge Custório Ferreira, irmão de Rosemary. Ele informou que um membro da família deve ir a Assunção nesta semana.


