Prisão de Londrina vive clima de tensão
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quinta-feira, 08 de março de 2001
Célia Guerra De Londrina 
Um estado de motim se instalou na Prisão Provisória de Londrina (PPL) desde anteontem, ao meio dia. Os presos, segundo o diretor da PPL, delegado Valdir Fernandes, estavam em greve de fome e não aceitavam a alimentação oferecida. As visitas que aconteceriam ontem foram proibidas por medida de segurança. A medida deixou os familiares revoltados.
Os presos que lideravam o movimento, de acordo com o diretor, reivindicavam que os detentos encarregados de serviços internos na prisão, definidos por correria, como entrega de alimentos e faxina, fossem indicados por eles. Os líderes apresentaram na segunda-feira uma listagem com os nomes sugeridos que foi recusada pela direção da PPL no dia seguinte. Entre os nomes, estavam presos de alta periculosidade e com muitos anos de condenação a cumprir. Eles queriam formar aqui o Primeiro Comando Pé-Vermelho (PCPV), afirmou Fernandes.
A confusão começou na quarta-feira como resposta à recusa da listagem. Os presos das celas da ala par após voltarem do pátio de sol, impediram a colocação dos cadeados pelos outros internos. O fechamento das celas foi feito à tarde pelos soldados do Pelotão de Choque, chamados pelo delegado. Não houve nenhuma agressão, o trabalho foi tranquilo, garantiu o diretor.
Ontem, seria a vez dos presos da ala ímpar irem ao pátio de sol mas, teriam sido intimidados pela outra ala e permanecido em suas celas. Nem mesmo os alimentos levados pelos familiares anteontem, teriam sido entregues pois a pressão teria atingido também os presos que prestam serviços.
A direção da PPL havia identificado quatro líderes: Wagner Henrique, Carlos Alberto Costa, Claudevir Ribeiro e Paulo Eugênio Pereira. Deve ter mais gente envolvida, e estamos levantando os nomes, comentou. Carlos Alberto e Paulo Eugênio chegaram à PPL em fevereiro, vindos do 1º Distrito, e seriam os principais agitadores.
Durante a entrada da equipe da Folha, os presos, fechados nas celas, gritavam por justiça e diziam que a polícia não queria distribuir a comida. O coordenador do Conselho de Direitos Humanos (CDH), Jorge Custódio, disse que os presos reivindicaram assistência médica, jurídica e social, uma enfermaria e banho de sol no mesmo horário para todos os presos. Eles alegam que isso melhoraria a convivência entre eles, disse.
Essas reivindicações fazem sentido, resumiu o diretor que ontem providenciava a transferência dos condenados Wagner Henrique e Claudevir Ribeiro para a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL). Os outros dois líderes deverão ir para algum dos DPs. Após a remoção, Fernandes disse que retomará o diálogo com os presos e acredita que a normalidade será retomada. Dependendo do clima, as visitas previstas para terça-feira poderão acontecer.


