Prisão de estudante provoca prostesto
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sexta-feira, 28 de maio de 1999
Giovani Ferreira 
Um protesto realizado na manhã de ontem, na Boca Maldita, em Curitiba, condenou a atitude do governo estadual e da Polícia Militar, que no final da tarde de quinta-feira prendeu o estudante Gilson Tessaro, de 27 anos, acusado de calúnia, difamação e desacato a autoridade. Quando foi preso, Gilson tinha em seu poder panfletos assinados pelo Fórum Terra, Trabalho e Cidadania, com informações que acusam o governo Jaime Lerner de não respeitar os direitos humanos.
De acordo com o advogado André Passos, que está trabalhando na defesa do estudante, os policiais tinham apenas um mandado de busca e apreensão do material e não uma ordem de prisão contra Gilson Tessaro. A representação contra o estudante, explica o advogado, veio somente depois que ele já havia sido preso.
Aluno do curso de Pedagogia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Gilson é assessor do vereador Tadeu Veneri (PT) e também faz parte do movimento estudantil. Ele foi preso por volta das 17 horas de quinta-feira, na Rua XV de Novembro. Os advogados conseguiram a liberação do estudante somente no início da madrugada de ontem, mediante pagamento de fiança, mas ele responderá inquérito.
Segundo André Passos, a representação que definiu a prisão do estudante partiu diretamente do governador, sendo direcionada de forma pessoal, contra a pessoa de Gilson Tessaro. Porém, explica o advogado, as denúncias que o governo considerou caluniosas, não foram feitas exclusivamente pelo estudante, mas sim pelo Fórum Terra, Trabalho e Cidadania, que assina o manifesto.
Jeferson Choma, coordenador geral do Diretório Central dos Estudantes (DCE), condenou o comportamento do governo, alegando que eles estão querendo cercear a liberdade de expressão, garantida pela Constituição Federal. Na avaliação de Choma, o governo está tentando repreender de maneira brutal os movimentos sociais em todo o Estado. Segundo o líder estudantil, a atitude do governo compromete a democracia, revelando uma ação que lembra a ditadura militar.
Temendo que o estudante se torne um bode expiatório do governo para reprimir esses movimentos, o advogado entende que este episódio tem como objetivo intimidar a organização das manifestações sociais. Para o coodenador do DCE, a prisão de Gilson serviu somente para fortalecer os movimentos que lutam pela democracia e protestam contra atrocidades cometidas pelos governos.
Com o título No governo Lerner, os direitos não são humanos, o material apreendido com o estudante, que já vem sendo distribuído em Curitiba há mais de uma semana, contém informações sobre trabalhadores rurais que foram presos, torturados, mortos e ameaçados.


