Príncipe realiza sonho de Nishimura
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sábado, 28 de junho de 2008
Micaela OrikasaReportagem Local 
Sonhar não custa nada, mas quando o sonho se torna realidade, não tem dinheiro no mundo que seja mais valioso. É assim que Kazuo Nishimura encara a vida aos 93 anos. Como muita gente, Nishimura já alimentou vários sonhos, mas três deles, em especial, eram como uma questão de honra para o imigrante japonês.
Nascido em Tottori, no Japão, Nishimura veio ao Brasil com apenas 13 anos. E foi aqui, em Londrina, que ele realizou os três maiores desejos de sua vida. O primeiro era criar e participar da educação de um neto. Desejo realizado. O segundo era viver até os 90 anos e, no dia 28 de março, todo feliz, Nishimura apagou as 93 velinhas.
Já satisfeito, Nishimura não esperava realizar o terceiro: ''Ver de perto o príncipe do Japão'', confessa. E não é que, quando Nishimura menos esperava, o príncipe Naruhito veio em sua direção, apertou suas mãos e ainda trocou palavras com ele, durante sua rápida passagem em Londrina, na inauguração da Praça do Centenário da Imigração, na manhã do último domingo? ''Foi minha sorte grande'', define Nishimura, que também contou com um plano infalível.
Logo cedinho, Nishimura colocou o terno, pegou um táxi e às 8 horas em ponto estava na praça. Como não estava na lista de convidados, levou a certidão de nascimento e a carteirinha de recenseador da comissão dos festejos do cinquentenário da imigração japonesa, realizado em São Paulo. ''Foi assim que consegui ficar entre os convidados. Na hora em que o príncipe chegou, eu fui o único a gritar o nome pelo qual ele é conhecido somente no Japão: Hironomiya Naruhito Denka'', conta Nishimura, que até levou o nome escrito em um papel para não correr o risco de esquecer na hora.
Ao escutar o chamado, Naruhito nem se importou com o protocolo, se aproximou do imigrante e fez algumas perguntas. ''Ele perguntou se eu estava bem de saúde e, depois que eu falei minha idade, ele falou que era para eu continuar me cuidando e não abusar da saúde'', comenta, orgulhoso.
E como pedido de príncipe é uma ordem, Nishimura dá a receita para aqueles que desejam cultivar uma vida longa e saudável. ''A mente deve sempre estar ativa. De vez em quando, tomar uma cervejinha bem gelada também ajuda, além de comer bem'', indica ele que, aos 93 anos, mora sozinho e prepara suas próprias refeições.
No cardápio, nada da culinária japonesa. Para Nishimura, bom mesmo é feijão bem cozido e uma macarronada caprichada. ''Minha vida foi construída no Brasil e posso dizer que viver aqui é bem melhor do que em qualquer outro lugar do mundo. O que me resta do Japão é apenas saudade e admiração'', diz.


