O professor Wagner José Martins Paiva, geneticista e coordenador do laboratório de genética humana da UEL, afirmou que o principal desafio é a falta de pessoal. "Se aumentarmos o número de pacientes, falta gente. Já pedimos mais pessoal, que precisa ser contratado por concurso, mas o governo tem que autorizar. Aqui pode acontecer como ocorreu em Maringá, em que o laboratório foi fechado há quase dez anos por falta de pessoal, já que os geneticistas se aposentaram e não houve sucessores." Paiva mesmo poderá se aposentar no início de 2021. Ele apontou que em Londrina havia nove pessoas atuando na coleta de exames e hoje há apenas três, sendo que as vagas que existiam foram fechadas.

A bióloga Maria Eliane Longhi Barroso aponta que essa ameaça é real, porque a sua orientadora, Eleonora Maria de Paula Marchese, foi quem começou o laboratório em 1972. "A minha vaga foi a primeira, e só saiu quando ela se aposentou em 1992. Foram 20 anos para abrir essa vaga", apontou. Ela irá se aposentar em 2024. "Em termos de instituição é pouco tempo. Desde aquela época vem sendo realizado esforço para melhorar a estrutura e contratar pessoal e não conseguimos."

A psicóloga Renata Grossi ressalta que mesmo na área de psicologia é um trabalho muito específico. "No dia em que eu me aposentar, esse serviço fecha. E é uma área em que a UEL é referência em todo o Brasil", apontou.

Outro problema é a falta de alguns equipamentos necessários para a realização de exames. "Aqui no laboratório não temos a técnica de exame molecular Fish (Hibridização in situ Fluorescente), porque falta esse equipamento de fluorescência. Temos a sala planejada, mas o microscópio custa R$ 200 mil", destaca o geneticista. Outro exame que a UEL não disponibiliza é o CGH-Array (Hibridação genômica comparativa baseada em microarranjos), que detecta alterações que não são vistas no exame de cariótipo convencional. "Outro equipamento que não temos e não é tão caro, é um que aquece a lâmina", observa. (V.O.)

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