Apucarana - Maria Solange Oliveira Lima, 44, e Tereza Pereira Franzão, 51, recém-formadas em terapia comunitária, iniciaram rodas de terapia com idosos e gestantes em Apucarana e, apesar da baixa procura, lutam diariamente para incentivar a população a falar para não adoecer.
''Principais problemas são de relacionamento familiar e drogas e ainda é difícil montar grupos. Mas quem participou, voltou pois se sentiu bem'', relata Tereza, explicando que com as gestantes as dinâmicas são participativas, com canto e brincadeira. ''As meninas começam tímidas mas entram na onda e as mães ficam mais tranquilas, porque a maior parte das gestantes ainda é adolescente.''
Muitos têm dificuldade em se abrir, mas um vez que as terapeutas propõem um tema, o pessoal solta a língua. Numa roda, a dona de casa Luzia Umbelina Rosa, 73, manifestou a vontade de formar um grupo de alfabetização. Ela sofre de alergia e problemas circulatórios, além do alcoolismo do marido, e buscou na terapia comunitária um escape para as amarguras da vida. ''Você vê o problema do outro e acha que o da gente é menor. É muito legal. Estou mais aliviada, contente e liberta depois que iniciei a terapia. Até minha pressão melhorou'', opina Luzia.
Para Maria Solange, o que mais muda nos participantes é a autoestima. ''É um momento que a pessoa tem para falar sobre si, sabendo que tem alguém escutando. Cada um é terapeuta de si próprio, mas a troca de experiências permite à pessoa analisar sentimentos e tomar uma atitude.'' Conforme ela, a meta da terapia comunitária é diminuir a fila de espera por consultas com o psicólogo do posto de saúde do bairro, que já reúne 50 pessoas. ''Eu mesma cresci muito e hoje estou mais autoconfiante. A roda desperta sentimentos escondidos e você descobre qual dor é sua e qual é do outro'', aponta Maria Solange.
Companheira de trabalho das terapeutas no posto de saúde, a auxiliar de enfermagem Maria Estefania Santos, 56, conseguiu superar, numa roda de terapia, o medo que a acompanhava desde que teve a casa assaltada. ''Antes eu ficava apreensiva com qualquer barulho da rua, mas confiei no grupo, me abri e sai mais fortalecida. As músicas também são muito lindas e aliviam a dor, você para de chorar e começa a cantar.'' (M.G.)

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