Primeiro transplante faz 25 anos
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terça-feira, 09 de junho de 1998
Osmani Costa 
Josoé de CarvalhoReunião de sucesso
Lauro Brandina, Egídio Ramazotti, Anuar Matni e Altair Mocelin: serralheiro transplantado em 1973 mostra boa saúdeHoje faz exatamente 25 anos que foi realizado no Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) o primeiro transplante de rim do Paraná. O paciente que recebeu o órgão transplantado, Egídio Ramazotti, agora com 51 anos de idade, nunca teve problemas com o rim neste período e está com a saúde muito boa.
Na tarde de ontem, ele se reuniu com os médicos responsáveis pela cirurgia para relembrar detalhes e comemorar o primeiro quarto de século de sucesso do transplante pioneiro em Londrina e no Estado. O urologista Lauro Brandina foi o chefe da equipe cirúrgica, enquanto que o nefrologista Altair Jacob Mocelin coordenou a equipe clínica, que contou ainda com o também nefrologista Anuar Matni.
Na época do transplante, o serralheiro Egídio Ramazotti tinha 26 anos de idade e era solteiro. Recuperado, ele casou-se e continuou trabalhando até novembro do ano passado, quando aposentou-se por tempo de serviço. O rim transplantado foi doado pelo mecânico João Ramazotti - irmão três anos mais velho que Egídio -, que atualmente mora em Rondônia e prossegue tendo uma saúde normal. O médico responsável pela cirurgia de captação do órgão foi Antonio Marcos Fraga.
Todos os médicos que participaram da pioneira cirurgia eram professores de Medicina na UEL. Antes de Londrina, este tipo de transplante só havia sido realizado com sucesso no interior do Brasil em Ribeirão Preto (SP). Muitas capitais - Rio de Janeiro, Vitória (ES) e Campo Grande (MS), entre outras - só fizeram transplante de rim depois de Londrina. Curitiba realizou a primeira cirurgia deste tipo em dezembro de 1973.
O transplante realizado no HU, que durou cerca de três horas, contou com a colaboração de uma equipe médica do Hospital das Clínicas de São Paulo - de onde viera para Londrina, em 71, o cirurgião Lauro Brandina - e teve o apoio ainda dos hospitais Evangélico e Santa Casa. O sucesso da cirurgia deveu-se, sem dúvida, à vontade de acertar e à qualificação de todos os membros da nossa equipe. Além dos esforços feitos pela direção do HU e administração da UEL, que não pouparam esforços para que pudéssemos realizar aquele primeiro transplante, que é um marco na história da Medicina do Paraná, afirma Brandina.
Nestes 25 anos, a equipe comandada por Brandina e Mocelin já realizou mais de 800 transplantes de rins, e tornou Londrina uma referência interestadual e internacional neste setor da Medicina. Segundo dados estatísticos, apenas 50% dos pacientes que tiveram rins transplantados viveram mais de 24 anos após a cirurgia. O sucesso deste tipo de transplante deve-se em grande parte à semelhança de tecidos, que advém da herança genética. Ou seja, quando mais próximo for o grau de parentesco entre o doador e o receptor, menores são as possibilidades de rejeição e maiores as chances de êxito na cirurgia. Estou muito bem de saúde e feliz. Antigamente, estava para morrer. Hoje, 25 anos depois, estou forte e tomando as minhas cervejinhas, diz Egídio Romazotti, cuja insuficiência renal era doença congênita e havia atrofiado os dois rins cerca de três anos antes do transplante.


