Curitiba
A primeira pessoa a receber com sucesso um coração transplantado no Paraná, o catarinense Pedro Luis Basso, diz que ficou ‘‘muito triste’’ ao saber que a lei de doação presumida de órgãos entregou em vigor. ‘‘A lei só vai prejudicar as pessoas que precisam de um transplante, limitando ainda mais o número de vidas salvas pela medicina’’, ele acredita.
No final da década de 80, Basso ficou mais de um ano e meio à espera de um órgão. Só foi salvo porque a família de um rapaz de 23 anos, morto em um acidente de moto, consentiu a doação do coração. ‘‘Eles pediram para conversar comigo antes de assinar a autorização, e então perceberam o quanto eu queria viver’’, diz.
Mesmo depois de ter enfrentado o drama de contar os dias à espera de alguma possível doação, Pedro Luis Basso, ex-árbitro de futebol, hoje com 51 anos, afirma ter certeza que a lei irá intimidar possíveis doadores de órgãos.
‘‘Ninguém gosta de fazer nada por obrigação, muito menos aceitar em silêncio que algumas partes de seu corpo sejam retiradas’’, ele avalia.
Basso diz que desde que a nova legislação entrou em vigor, vários amigos seus, que na época apoiaram seu transplante, já fizeram novas carteiras de entidade com a declaração de não doadores. ‘‘Fiquei espantado ao perceber como as coisas vão piorar daqui para frente.’’
Portador de uma miocardiopatia que já começava a afetar órgãos, Pedro Luis Basso diz que nunca mais teve contato com a família do seu doador. Até hoje, prestes a completar 10 anos de sobrevida, o aposentado diz que não sabe como agradecer a chance que teve.
‘‘Quando acordei da anestesia, senti que meu coração batia forte outra vez e que eu era um novo homem.’’

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