Assim que as aulas começarem, em fevereiro, alunos, pais e professores vão perceber diferenças nas escolas. A partir deste ano, os estabelecimentos de ensino públicos e particulares do Paraná deverão cumprir duas resoluções, da Secretaria de Estado da Saúde, que padronizam a sanidade nestes ambientes. São normas técnicas, elaboradas por uma equipe multiprofissional, para evitar os surtos alimentares e casos de 'escolas-depósito'. Segundo Maria Aparecida Paleari Silva, assistente social da Vigilância Sanitária Estadual, o intuito é difundir os conceitos de vida saudável e - ao mesmo tempo - garantir o direito à cidadania.
As alterações começam na estrutura física (área, tamanhos de portas, número e localização de lavatórios, etc), passam pelos equipamentos de limpeza e higiene (porta sabonetes, lixeira com pedal, etc) e culminam na exigência de um nutricionista nas unidades que servem alimentação. A resolução 318/02 refere-se a estabelecimentos de nível Fundamental, Médio, Superior e Cursos Livres (pré-vestibulares e profissionalizantes) e a resolução 162/05 abrange creches e pré-escolas. O texto final é resultado de visitas, entrevistas com alunos, professores e funcionários, reuniões com diretores e dados da Vigilância Sanitária, obtidos no interior e capital. ''Todos os interessados foram convidados a opinar e orientados a adequar-se às novidades. Em último caso, o descumprimento será punido com o fechamento da escola'', advertiu Maria Aparecida, que coordenou esse projeto desde o ano 2000.
Durante a peregrinação pelo Estado, técnicos da Saúde e Educação constataram o abandono dos prédios públicos. Um diretor de Londrina, que preferiu o anonimato, queixa-se do vandalismo que 'mutila' sua unidade e da falta de funcionários para impedi-lo. Para a diretora Lucia Aparecida Cortez Martins, do Colégio Estadual de Ensino Fundamental, Médio e Profissionalizante Albino Feijó Sanches, também de Londrina, a maior dificuldade é a obtenção de verba do governo. Devido a este obstáculo, sua escola negocia, continuamente, novos prazos com a Vigilância Sanitária. Nos últimos anos, a Albino Sanches cobriu o refeitório; uniformizou as merendeiras; equipou a cozinha com exaustor, cerâmica e mobília clara; presenteou os banheiros com porta sabonete líquido, porta papel toalha e suporte para papel higiênico; as salas de aula ganharam piso novo e visor nas portas. ''Ainda falta, por exemplo, gradear as canaletas de água pluvial, instalar corrimão nas escadas e comprar mesas e cadeiras para o refeitório. As solicitações foram entregues, mas o processo é burocrático e demorado'', completou Lucia.
A atividade escolar cobra do administrador a licença sanitária, renovada anualmente pelo órgão competente, conforme a legislação em vigor. Na opinião de Moacir Gimenez Teodoro, coordenador de saneamento da Vigilância Sanitária em Londrina, o setor tem evoluido neste quesito, especialmente as unidades de educação infantil. ''Neste ramo, o problema ainda é a estrutura física inadequada. A adaptação de imóveis residenciais para o funcionamento de berçarios e maternais - às vezes - não é suficiente para atender as necessidades da clientela''.

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