Era uma tarde de segunda-feira de março ou abril de 1981. O trabalhador rural aposentado Alcides da Silva, 70 anos, não se lembra exatamente o mês em que chegou, de caminhão, no Parque Residencial San Rafael, na zona oeste de Ibiporã (14 km a leste de Londrina). ‘‘Estava com a casa de madeira desmontada e toda a mudança em cima do caminhão, quando o motorista parou dizendo que tínhamos chegado. Com o desenho do loteamento nas mãos, não conseguia localizar o meu terreno porque o capinzal tinha tomado conta das ruas e de todos os lotes’’, lembra, bem-humorado, o primeiro morador do San Rafael.
O bairro - o primeiro no sentido Londrina-Ibiporã, na margem esquerda da BR-369 - mudou muito nos últimos 18 anos. Hoje, já são 810 casas ocupando a maior parte dos 1.128 terrenos do empreendimento lançado em 1978 pela Loteadora Eldorado, onde nas décadas anteriores havia existido uma produtiva plantação de café, com 25 alqueires, do Sítio Santa Luzia. ‘‘Tive que capinar o terreno para poder montar minha casa de madeira, que tinha comprado na Vila Yara, por 3 mil réis. Aqui não tinha mais nenhuma família; muito menos água encanada, luz elétrica e asfalto’’, conta Alcides da Silva.
Ele próprio abriu o poço no fundo do quintal, que deu água potável para a família por mais de dez anos. Alcides, sergipano de Canhoba, é casado com a dona de casa Terezinha Marcial da Silva, 65 anos. Ao mesmo tempo que participaram ativamento do crescimento do bairro, o casal criou três filhos e sete netos.
PioneiroAlcides da Silva: ‘‘Tive que capinar o terreno para montar minha casa’’‘‘Nós organizamos as primeiras quermesses, os rodeios e os bingos para arrecadar fundos para a construção da primeira igreja. Depois, sempre estivemos presentes nas lutas e reivindicações de cada uma das benfeitorias’’, conta Alcides, que até hoje trabalha por dia nas lavouras das fazendas vizinhas.
A ocupação do loteamento San Rafael - o maior de Ibiporã, segundo a prefeitura - ainda não está completa e ocorreu de três diferentes formas: com a construção particular das residências; de 47 casas populares através do sistema de mutirão financiado pela Cohapar, e a construção de 84 casas populares com o financiamento através da Cohab de Londrina.
Hoje, o San Rafael conta com uma infra-estrutura razoável. As ruas, todas asfaltadas, são largas e com trânsito tranquilo. A população é humilde, trabalhadora e pacata, segundo o presidente da associação dos moradores, o topógrafo e desenhista Antonio do Prado Rosa, 43 anos.
Casado com Marli Rosa, com quem tem três filhas menores, ele afirma que o maior problema do bairro é o desemprego. ‘‘Infelizmente, a nossa realidade é a mesma do restante do País. Fora esta dificuldade de encaixar a mão-de-obra, temos conquistado muitas coisas para o San Rafael nos últimos anos’’, diz. Ele mora no bairro há dez anos e é presidente da associação de moradores pela segunda vez.
A escola estadual de 1º grau conta com dez salas e atende atualmente 771 estudantes. A creche municipal, em funcionamento desde 1992, beneficia hoje 127 crianças de 83 famílias. De acordo com o presidente da associação dos moradores, são cerca de 170 estudantes que se deslocam do San Rafael para estudar à noite nos colégios do centro de Ibiporã, a 4 quilômetros de distância.
O posto de saúde municipal, inaugurado naquele mesmo ano, presta mensalmente cerca de 2,2 mil atendimentos de enfermaria, além de aproximadamente 400 consultas médicas e outros 700 procedimentos. As linhas regulares de ônibus ligam o bairro ao centro de Ibiporã e de Londrina, de 15 em 15 minutos, das 6 horas até a meia-noite.
As maiores reivindicações dos moradores são, atualmente, a construção de um centro comunitário, de uma praça pública e de um colégio. Os terrenos e os projetos para as obras já estão definidos. Mas faltam recursos.


RAIO X
Nome oficial: Parque Residencial San Rafael
Onde fica: zona oeste de Ibiporã, na saída para Londrina.
Quando surgiu: loteamento aprovado em 78; primeiro morador chegou em 81
Número de lotes: 1.128
Número de casas: 810
População: cerca de 3.500 pessoas
Empresas: 70 comerciais e cinco industriais
Infra-estrutura: esgoto, água encanada, asfalto e energia elétric.
Escola de 1º grau: 771 estudantes
Creche: 127 crianças atendidas
Posto de saúde: 2.200 atendimentos por mês, com perto de 400 consultas médicas.
O que falta: centro comunitário, praça pública, módulo policial e colégioFotos: Dorico da SilvaParque residencialMesmo às margens da BR-369, maior bairro de Ibiporã, com 810 casas, mantém a tranquilidade; infra-estrutura é razoávelOsmani Costa

mockup