Primeiro implante coclear é realizado em Londrina
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domingo, 22 de novembro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Na manhã de ontem, uma equipe de médicos realizou pela primeira vez em Londrina uma cirurgia de implante coclear. O procedimento faz com que surdos severos passem a ouvir por meio de um dispositivo eletrônico.
A procedimento realizado ontem, em um jovem de 16 anos que nasceu com deficiência auditiva, levou meses de preparação. O médico Koki Kitahara, diretor do Hospital Otocentro - onde a cirurgia foi realizada -, revelou que, depois de São Paulo, Londrina é a primeira cidade do interior do Brasil a realizar o implante coclear. ''Estamos orgulhosos. O Hospital se adequou às normas do Ministério da Saúde para viabilizar esse procedimento'', disse.
No Paraná, a cirurgia ainda não é paga pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Só o aparelho custa entre R$ 50 e R$ 60 mil.
Segundo o coordenador da equipe de implante coclear do Hospital Iguaçu de Curitiba, André Ataíde, que esteve na cidade para acompanhar a operação, o Estado dispõe de médicos especializados e de toda a tecnologia necessária para realizar a cirurgia pelo SUS. ''O pedido de credenciamento já foi entregue aos órgãos públicos. O processo é lento, mas esperamos que em breve isso seja resolvido'', observou, acrescentando que a fila de espera no SUS é enorme.
Na opinião do coordenador do grupo de implante coclear de Londrina, o médico Orley Ferraz, o mais importante é conscientizar a comunidade e os familiares dos surdos que existe uma técnica que pode ajudá-los. Segundo ele, a cirurgia deve ser feita o mais cedo possível. ''Hoje, no Brasil, o procedimento é realizado em crianças de um ano de idade; nos EUA, até antes.''
Os médicos explicaram que o aparelho tem dois componentes: um interno e outro externo. O primeiro é colocado embaixo da pele do paciente. Após 30 dias, quando tudo estiver bem cicatrizado, as fonoaudiólogas ativam o aparelho externo, que é semelhante ao utilizado por pessoas com problema auditivo.
Eles observam que a pessoa implantada não ouve imediatamente porque o aparelho é regulado aos poucos, para que o paciente não se assuste com os sons que nunca ouviu - a cirurgia é voltada exclusivamente às pessoas com perda total da audição. Após o procedimento, o paciente passa por uma reabilitação, sendo acompanhado por profissionais de diferentes especialidades.
A especialista em audiologia clínica e fonoaudióloga Marcia Kimura contou que o tratamento posterior ao implante varia bastante de pessoa para pessoa. No entanto, de modo geral, segundo ela, depois de um ano de uso, o paciente começa a desenvolver melhor a fala. ''Primeiro ele aprende a ouvir para depois falar''.
A pequena Carolina Sayuri Yamashita, de oito anos, foi submetida à cirurgia de implante cloclear há cinco anos. A mãe, Helena Maria Senis, afirmou que a partir do implante, a vida da Carolina e de toda a família mudou muito. ''Hoje, ela leva uma vida normal. Todo dia aprende uma coisa nova. Foi uma benção''


