Primeiro emprego exige mudanças
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sexta-feira, 29 de maio de 2009
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que tramita na Câmara Federal com o objetivo de alterar a idade mínima para o adolescente ingressar no mercado formal de trabalho deve ser acrescida de mais mudanças para tornar-se viável. A opinião é do supervisor educacional da Guarda Mirim de Londrina, Cláudio Melo.
O objetivo da PEC é reduzir a idade de 16 para 14 anos e de 14 para 12 anos no caso dos aprendizes. Porém, mais do que reduzir a idade, Melo acredita que a proposta deveria tornar mais simples a rotina dos adolescentes. Aprovada em 2000 e regulamentada em 2005, a Lei do Aprendiz determina que empresas de médio e grande portes devem contratar de 5% a 15% de aprendizes. Os jovens têm que passar duas horas na instituição e outras duas no emprego. A limitação, na opinião de Melo, dificulta a contratação.
Isto gera, segundo o supervisor, problemas de logística, uma vez que é difícil para o jovem se deslocar do emprego para o projeto e deste para a escola todos os dias. O ideal, aponta, é liberar o jovem para trabalhar as quatro horas na empresa. Com o aumento da carga horária de trabalho, o acompanhamento do adolescente pela entidade de ensino profissionalizante passaria a ser feito aos sábados, apenas uma vez por semana.
Outra necessidade é que o jovem permaneça ao menos um ano em treinamento para chegar à entrevista capacitado para concorrer a uma vaga no mercado de trabalho. A Guarda Mirim atualmente atende 348 adolescentes de 14 a 18 anos e oferece cursos como auxiliar de escritório e panificação, entre outros.
O deputado federal Alex Canziani (PTB), autor do projeto, explica que a iniciativa foi baseada em episódios recentes na cidade, como os ligados à Liga dos Engraxates e à Guarda Mirim. E conta que obteve apoio de lideranças de outros municípios. Ele lembra, no entanto, que a questão da qualificação é fundamental. Não adianta só permitir. Muitos dos que hoje vão para o tráfico, para o crime, deixarão de seguir esse caminho, argumenta.
O deputado afirma ainda que a estrutura atual de cursos profissionalizantes não é suficiente para proporcionar qualificação que atenda à demanda. E que iniciativas como a instalação da Universidade Tecnológica Federal e o Instituto Tecnológico podem ajudar a reduzir a carência por mão-de-obra qualificada.
A medida tem apoio da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil) e da Promotoria da Vara da Infância e da Juventude de Londrina. O presidente da Acil, Marcelo Cassa, diz que a PEC pode representar a inserção do jovem no mercado de trabalho, e lembra que a legislação atual é fora da realidade. A parte assistencial de apoio aos jovens é importante. Mas é uma utopia hoje impedir o jovem de trabalhar nessa idade. É muito limitador.


