A estudante Marta Berssani Chammas, 17 anos, revelou ontem que o primeiro cativeiro depois de ser levada da casa dos pais na sexta-feira à noite, por volta das 23 horas, foi nas margens do Rio Ivaí, a cerca de 40 quilômetros de Maringá. Ela disse que só no sábado à noite foi levada para uma casa que depois descobriu ser do médico Décio Basso. No local ficou todo o tempo de olhos vendados e amarrada por uma corrente. A estudante deve prestar depoimento à polícia nos próximos dias.
No período em que permaneceu na beira do rio, Marta contou que ficou sentada em cima de um cobertor ao relento e só tinha ‘‘pão de mel’’ para comer. Na casa recebia refrigerantes, leite com chocolate, salgadinhos e bolacha. Segundo Marta, não existem traumas ou mágoas pelo que passou. ‘‘Em nenhum momento chorei’’, afirmou a estudante.
De aparência tranquila, calma ao falar e mais magra – a estudante não soube precisar quantos quilos perdeu nas 80 horas em que ficou sequestrada –, ela afirmou que não recebeu ameaças de morte por parte dos sequestradores. O único momento de tensão e medo pelo qual passou foi quando saiu da casa e levada para um matagal. ‘‘A partir daí, os sequestradores estavam desconfiados da presença da polícia e fiquei com medo de ser morta em troca de tiros entre os bandidos e policiais’’, ressaltou Marta.
A estudante voltou ontem mesmo para as aulas de um curso intensivo de inglês. Ela pretende fazer cursinho é prestar vestibular no final do ano para medicina. ‘‘Não sei qual a especialidade que vou escolher, mas não será nem pediatria e nem geriatria’’, brincou.

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