Milton DóriaO primeiroMárcio: ‘DCE ajudou na estruturação da UEL’Seis meses atrás, enquanto arrumava gavetas, revendo fotos e organizando papéis, o médico Márcio José de Almeida trouxe à lembrança os bons tempos do movimento estudantil. Ao encontrar-se com a secretária dos Conselhos Superiores da UEL, Acely de Mello - que 25 anos atrás auxiliava os estudantes, passando informações sobre a legislação federal que regulava a representação estudantil -, puxou o fio da história e confirmou a data: 26 de setembro. Há 25 anos tomava posse a primeira diretoria do DCE.
O jubileu de prata do DCE de Londrina, que já foi uma das entidades estudantis mais atuantes do Brasil, foi comemorado com um jantar, ocorrido na última sexta-feira. O encontro foi organizado pelos dois primeiros presidentes do DCE. ‘‘Vai ser um encontro de jurássicos’’, previa na véspera o médico Márcio Almeida, primeiro presidente do DCE. ‘‘Vai ser a hora da saudade, com direito a valsa se tivesse conjunto’’, completava Nilo Dequech, o segundo a ocupar o cargo.
O então estudante de Direito, derrotado por Márcio Almeida na primeira eleição do DCE, deu o troco no pleito realizado um ano depois, vencendo a candidato apoiado pelo presidente, Tercílio Turini. Dequech enfrentou a oposição do então recém-criado grupo ‘‘Poeira’’, que editava jornal do mesmo nome, combatendo a sua gestão (73/74), ligada ao reitor Oscar Alves. ‘‘Havia divergências sim, mas a gente respeitava o direito de divergir. As bandeiras maiores, que era o restabelecimento da democracia e implantação da universidade, eram as mesmas.’’
O processo de criação do DCE, lembra Almeida, nasceu da luta dos estudantes aglutinados nos antigos centros acadêmicos, durante a gestão do reitor Ascêncio Garcia Lopes. O reitor não colocou empecilhos à constituição do diretório. Fazia exigências contidas na legislação federal, que tratava sobre a representação estudantil.
Como a legislação era muito restritiva, observa Almeida, vinculando os diretórios à administração da instituição, os estudantes deixaram claro que não queriam ser tratados como ‘funcionários’. ‘‘Apesar das restrições que fizeram com que o DCE nascesse ligado à instituição, ele contribuiu de forma importante para a própria construção da Universidade e participou efetivamente da reestruturação do movimento estudantil em caráter nacional.’’
No período em que permaneceu à frente do DCE foram tratadas questões específicas da universidade em construção. Foram várias audiências na Prefeitura pedindo o asfalto no campus. Outras reivindicações: melhorias das salas de aulas, da qualidade do ensino e ensino público gratuito.
Na época, os líderes do movimento foram procurados por integrantes do grupo do MDB, em busca de novos filiados. O presidente do DCE apenas adiou sua filiação que aconteceria anos mais tarde. Almeida foi secretário de Saúde do Município de 77 a 80. E deputado estadual pelo PMDB de 82 a 86.
(Luka Morais)

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