Primeiras casas populares têm 38 anos
Paulo Ubiratan
De Londrina
Quem quiser voltar para a antiga Londrina é só dar uma passadinha pelo Conjunto Residencial do Café (zona sul), o primeiro bairro especificamente construído de casas populares na cidade. As residências originais com 40 metros quadrados cada uma começaram a ser habitadas em fevereiro de 1961, portanto há 38 anos. Elas foram contruídas pela Cooperativa Habitacional do Paraná (Cohapar), por força política do então prefeito José Hosken de Novaes. Poucas casas ainda possuem os traçados originais, pois a maioria foi totalmente reformada.
Dos antigos moradores a Folha conseguiu localizar apenas Regina Francisa Carvalho, 64 anos, Evangelina Souza Lima. 59 anos, Josefina Silva dos Santos, 73 anos, e o casal Jonas e Zenite Leite, ambos com 66 anos. Eles são os únicos pioneiros que ainda residem no bairro.
Nós ficamos aqui por força do destino, pois a maioria dos antigos moradores morreu, vendeu ou alugou suas casas, afirma Zenite Leite. No começo não existia asfalto, água, esgoto e o ônibus passava de hora em hora. Era pó ou barro. As moradoras disseram que viviam com sacrifício, longe do centro para onde as crianças eram obrigadas a se deslocar para estudar. Não havia nenhuma infra-estrutura que nos permitisse conforto, inclusive as ruas eram estreitas, impossível de plantar árvores, diz Regina Carvalho.
O Conjunto Residencial do Café tem as ruas mais estreitas de Londrina. Segundo a maioria dos moradores, as vias que eram problemas tornaram-se hoje uma forma de aproximar mais os vizinhos e promover uma iluminação melhor à noite. Este seria um dos principais motivos de não termos problemas com ladrões e sermos o bairro mais seguro da cidade, acredita Evangelina Lima. Frontalmente, as casas são separadas por seis metros de rua e calçadas.
O conjunto tem 228 casas e deve ser o que tem mais praças em Londrina. Os moradores garantem que são sete, em uma área de aproximadamente 15 mil metros quadrados correspondente ao tamanho de todo o bairro. A reportagem observou que apenas quatro áreas possuem estilo de praça, as demais são apenas terrenos sem árvore, bancos ou jardins.
O inédito da Praça Alberto Loureiro é que serve como referencial de endereços aos moradores em sua volta. Um deles é o aposentado Antônio Berluca, 78 anos, que não mostra a idade que tem. O pessoal que me manda carta faz gozação comigo. Dizem que eu moro no meio da praça, brinca. É nesta praça que aos domingos e feriados os jovens jogam cartas em mesas postas sob as sombras das árvores e se unem para contar causos. Os frequentadores de carteririnha do local são Wagner Américo de Souza e Manoel Pereira. O único velho que por ali aparece é o próprio Berluca, que a todo momento é provocado, fica brabo mas também se diverte, passando trote nos jovens.
Atualmente, a presidente da Associação de Moradores, Marlene Fulchini, está esperando resposta da prefeitura para que sejam resolvidos diversos problemas do bairro. O maior deles é a limpeza das praças e o aproveitamento dos terrenos baldios da Cohapar, que poderão se tornar locais de lazer. Estamos lutando para isso e esperamos que as promessas dos políticos sejam cumpridas.
Das tantas histórias do Residencial do Caféi, as antigas moradoras contam que logo após Ooskem de Novaes deixar o governo municipal, assumiu o médico Dalton Paranaguá, que por um tempo chegou a proibir os novos proprietários a habitarem as casas. O doutor Paranaguá dizia que as casas não correspondiam aos padrões e vinham em desencontro a saúde pública por falta de melhor arejamento. Depois o doutor Paranaguá voltou atrás e todos ficaram contentes, conta Regina Carvalho.
O ex-prefeito Paranaguá não pode conversar com a Folha sobre o assunto. Mas Hosken de Novaes diz que a confusão foi gerada mais por questão política. Quanto às ruas estreitas, o ex-prefeito explica que era proposital. Era uma forma técnica e sutil de se evitar muito movimento de carros nas ruas e assim dar segurança aos moradores, principalmente às crianças. Quanto aos baixos preços das casas, Novaes explica: Tratava-se de uma obra social para realmente atender a população sem recurso. Bem diferente do que acontece hoje com o mutuário da casa própria que tem altos encargos, impossíveis de pagar.
RESIDENCIAL DO CAFÉ
Onde fica: zona sul
Quantidade de casas: 228
Inauguração: fevereiro de 1961
Característica: ruas estreitas, existência de 7 praças e arborização





