Curitiba - A jovem Anna Paula Caldeira, 26 anos, não é filha de celebridade, mas, quando nasceu, dezenas de jornalistas de diversas partes do Brasil esperavam ansiosos na saída da maternidade, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. Ela foi o primeiro bebê de proveta do Brasil. Se hoje a fertilização in vitro (FIV) é um procedimento normal, no início da década de 1980 o método representou grande esperança para diversas famílias que sonhavam em ter um filho, mas não podiam engravidar pelo método tradicional.
Após o nascimento do quinto filho, a mãe de Anna Paula, Ilza Leprevost Bley, sofreu uma peritonite pós-parto e foi obrigada a retirar as trompas. Quando ela casou novamente e desejou engravidar mais uma vez, recorreu ao moderno método que havia sido criado poucos anos antes pelo britânico Robert Edwards. Por esta criação ele recebeu no início deste mês o Prêmio Nobel de Medicina.
O crescimento de Anna Paula, que hoje trabalha com marketing, foi acompanhado pela imprensa. ''Todos ficavam curiosos para ver se o meu desenvolvimento seria normal, se eu teria algum problema de sa© úde ou se era mais inteligente. Sou igual às outras pessoas'', declara.
''É um reconhecimento muito grande o médico Robert Edwards receber o Nobel de Medicina'', opina Anna Paula. A jovem perdeu a conta de quantas entrevistas já deu até hoje e diz que, quando faz aniversário, em 7 de outubro, sempre é procurada para falar sobre o assunto. ''O trabalho de Edwards, assim como o de Nakamura (que morreu em 1997), foi de grande importância para a esperança de milhares de famílias em todo o mundo. Foi uma enorme contribuição para a medicina''.
Diferentes tratamentos
O médico Karam Abou Saab, professor de reprodução humana da Universidade Federal do Paraná (UFPR), participou da primeira FIV realizado no Paraná, em 1986. Em 24 anos, foram mais de 3 mil procedimentos. O método é feito com a retirada do óvulo da mãe. Em seguida, ocorre a seleção dos espermatozoides que serão fertilizados. O trabalho é feito em laboratório. Em média, dois ou três embriões são colocados no útero. Entre 40 e 50% das fertilizações realizadas dão certo. Destas, 10% resultam em gêmeos. Os interessados neste procedimento gastam cerca de R$ 10 mil.
Saab explica que existe outro procedimento mais simples e mais barato. A inseminação é feita através do depósito dos espermatozoides selecionados diretamente no útero da mãe. O método custa entre R$ 1 mil e R$ 1,5 mil, mas apenas 10% a 20% dos casos obtêm sucesso.

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