Primavera também é tempo de alergia
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os períodos de calor registrados no último inverno acalentaram uma primavera vigorosa, que pode ser vista nas intensas florações típicas desta época. A beleza vista pelas ruas, porém, tem um preço alto para quem tem alergia a determinados tipos de pólen, a chamada polinose. Os dias de sol, quentes, secos e com bastante vento, como foram os últimos, são os mais complicados para que tem a doença.
Segundo o médico alergista Luiz Alberto Scripes, no Norte do Estado as principais espécies que contêm pólens causadores de alergia respiratória são as acácias, sibipirunas, alfeneiros e chuvas-de-ouro. Ele lembra que as gramíneas, outro importante agente de polinização na região, têm sua polinização concentrada no final da primavera e começo do verão.
O médico explica que a alergia só se manifesta em quem tem predisposição genética, e o problema pode se desenvover tanto na infância como na fase adulta, na presença de um agente desencadeante. ''Estudos apontam que, em média, 35% da população mundial tem algum tipo de alergia; desta parcela, em torno de 20% tem rinite alérgica, causada, entre outros fatores, pelo pólen.''
A alergista Ana Paula Juliani observa que no Rio Grande do Sul e Santa Catarina, onde as estações do ano são mais definidas, os casos de alergia a pólen são mais comuns. Aqui, os agentes que mais causam este tipo de problema são os ácaros presentes na poeira. Ela informa ainda que a maioria dos pólens, como os das flores decorativas, não é alergizante. ''Os que causam alergia são os pólens pequenos, que podem ser levados pelo vento.''
De acordo com Ana Paula, os sintomas da polinose, como congestão nasal e crises de espirros (veja quadro nesta página), são muito intensos e podem desencadear crises de asma. ''Enquanto a rinite causada por ácaro se manifesta o ano todo, a rinite por pólen surge só nesta época do ano e de forma abrupta.''
A médica explica que nos piores momentos é preciso fazer uso de medicamentos para controlar os sintomas, mas que a única forma de tratamento é a imunoterapia (uso de vacinas), já que não há como evitar totalmente o contato com o agente causador. ''Os pólens são levados pelo vento a quilômetros de distância'', diz. Segundo ela o tratamento dura de três a cinco anos e é feito com vacinas específicas injetáveis, prescritas por médico alergista.
Foram estas vacinas que trouxeram um grande alívio para a empresária Elisângela Harumi Otsuka, livrando-a do uso de vários remédios. ''A primavera e o inverno sempre foram as piores épocas do ano para mim. Meu nariz vivia congestionado e, como eu respirava muito pela boca durante a noite, sempre amanhecia com a garganta inflamada. Os testes que eu fazia sempre indicavam que eu era alérgica a ácaro e poeira, mas nunca haviam me falado da alergia a pólen'', conta Elisângela, que chegou a fazer cirurgia de septo nasal, na tentativa de amenizar as constantes inflamações.
Em abril deste ano a empresária recebeu o diagnóstico de polinose e começou o tratamento com vacina, atualmente administrada a cada 21 dias. ''Me sinto aliviada. Só faço a higienização do nariz com soro fisiológico antes de dormir e pela manhã. Durmo melhor e acordo muito disposta'', comemora. Para ela o tratamento, embora longo, vale a pena.


