Primavera faz aumentar furto de plantas
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segunda-feira, 20 de setembro de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Um galhinho aqui, outro brotinho ali, uma mudinha lá. Assim, meio por acaso, as floreiras, nesta época do ano, vão ficando cada vez mais vazias. Os furtos de plantas e flores costumam aumentar na primavera e, geralmente, os autores são pessoas acima de qualquer suspeita que, para embelezar seus próprios quintais, acabam depredando áreas de uso público. O ato aparentemente sem importância gera transtornos e gastos extras para o Município, como aponta a Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) de Londrina.
Um bom exemplo do mau exemplo são os furtos constantes contra os canteiros construídos na revitalizada Praça Marechal Floriano Peixoto, mais conhecida como Praça da Bandeira, na Área Central. Uma funcionária de uma lanchonete localizada no Calçadão comentou que é comum ver pessoas, principalmente senhoras, arrancando pezinhos de plantas dos canteiros. ''Parece que a planta cresce mais bonita assim, sem pedir. As senhoras pegam e arrancam com raiz e tudo '', brincou a atendente, que preferiu não se identificar. Outra comerciante, que também pediu anonimato, trabalha num quiosque ao lado do canteiro e falou que é comum as pessoas lhe pedirem mudas.
A reposição de plantas na área do Calçadão é praticamente constante, aponta o administrador do viveiro municipal, Samuel Cláudio Morais. ''A gente espera para levar plantas com flor mas no dia seguinte já some tudo'', lamentou. Na última semana, foram repostas cerca de 300 mudas. No viveiro, são pelo menos 20 canteiros com mudas de espécies diversas, indicadas para forração de jardins, ornamentais, árvores nativas e frutíferas.
Outro problema destacado por ele é o vandalismo, que atinge sobretudo as mudas plantadas em vias públicas. Para prevenir a depredação, a tática tem sido esperar as espécies ganharem altura para depois serem plantadas. ''A gente procura plantar quando a árvore atinge uns dois metros, porque daí fica mais difícil de quebrar''. Além de servir para repor as plantas das praças e das ruas, a produção do viveiro é destinada também a escolas e proprietários de chácaras e áreas de fundo de vale. Para obter mudas é preciso entrar com pedido na sede da Sema.
O gerente de áreas verdes da Sema, Ocimar Daroco, estimou que pelo menos 20% das plantas ornamentais somem logo depois de serem plantadas. Até grama desaparece dos canteiros. ''Nesta época, aumenta (os casos de furto e vandalismo) dependendo da planta. Quando tem flor, some no ato'', observou Daroco. Somente na avenida Leste-Oeste, das 270 mudas plantadas neste ano cerca de 100 já foram destruídas.
De acordo com o gerente, esses crimes ambientais acabam gerando custos extras para o Município. Na produção, os custos aumentam porque é preciso produzir mais mudas e esperar mais tempo para plantá-las. E as mudas maiores e mais robustas geram mais gastos com mão-de-obra e manutenção. A Sema alerta que depredar mudas e furtar floreiras são crimes ambientais e, quem for pego em flagrante, está sujeito a multas e outras punições.


