Previsão é de geadas fracas hoje
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Betânia Rodrigues De Londrina 
O município de Palmas (95 km a leste de Pato Branco) registrou ontem a temperatura mais baixa dos últimos 10 anos: -6,4ºC. A previsão do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar) para hoje, em todo Estado, é de geadas fracas ao amanhecer.
O Projeto de Atenção aos Moradores de Rua da Secretaria de Ação Social de Londrina tem sido a única alternativa do município para diminuir o desconforto do frio. Segundo a secretária interina, Neiva Vieira, o projeto funciona há sete anos e seu objetivo é resgatar essas pessoas ao convívio familiar e social, ajudando-o a encontrar meios de se sustentar. Há dois anos, tínhamos 240 pessoas nessa situação em Londrina. Hoje, esse número caiu para 45.
Essa iniciativa é o aprimoramento da Operação Noite Fria que durou sete anos e chegou a ter um barracão próprio para abrigar os moradores de rua. Para Neiva, o projeto atual é mais eficaz porque a equipe de assistentes sociais e educadores trabalha durante o dia, horário em que os desabrigados respondem melhor ao serviço. É o período em que estão sóbrios e mais suscetíveis às orientações.
Segundo a secretária, a Polícia Militar e a ambulância do TEC (Transporte Emergencial Centralizado) levam os moradores de rua para os albergues e hospitais quando há necessidade. Para atingir seu objetivo e, às vezes, até auxiliar a família dos andarilhos que perambulam pela cidade, a prefeitura gasta todo mês cerca de R$ 6 mil. Vinte e cinco por cento dos moradores de rua de Londrina têm família aqui, afirmou Neiva.
Fora deste índice está Irineu Pereira. Ele disse que chegou de Garça (SP) na quarta-feira, mas sua origem é alagoana, de Palmeira dos Índios. Em 30 anos ele já passou por várias cidades do interior paulista e também do Paraná. Não tenho ninguém. Morreram todos. Vim para cá porque em Garça estava muito frio. Pereira é trabalhador rural e disse que está parado porque não encontra emprego. Ele disse que andava sempre com documentos, por isso não tinha problemas com a polícia.
Ontem de manhã, ele apreciava o movimento da Avenida Arcebispo Dom Geraldo enquanto se esquentava no sol. À noite, ele dorme nos albergues onde toma banho e janta. Durante o dia eu me viro, resumiu.
Anderson de Almeida, 22, e Marina de Souza, 18, duvidam da boa vontade do poder público. Segundo eles, os funcionários da prefeitura não os incomodam, mas também nunca ajudam, só fazem promessas. Ambos moram na cancha de bocha do Centro Social Urbano, da Vila Portuguesa (área central), há cerca de três meses e atribuem sua miséria à falta de emprego. Queria voltar para Belém (PA), mas não tenho dinheiro. Não gosto de viver aqui, só que não tenho outra opção, disse Almeida.
Para se esquentar, o grupo de seis pessoas que vive no mocó pede roupas, alimentos e acende fogueira. Eles procuram os albergues raras vezes. Neiva disse que o motivo são as regras estabelecidas nesses locais que não permitem bêbados e drogados. (Com Agência Folha)


